Eu estava triste.
Olhei para a Sabedoria e perguntei:
“Por que eu perco as coisas que amo?”
Ela respondeu:
“Porque amor e posse não são a mesma coisa. Algumas das coisas mais bonitas da vida não existem para serem mantidas. Existem para serem vividas.”
Aquilo explicava alguma coisa. Mas não o suficiente.
“Então por que elas me foram dadas?”
Ela respondeu com a mesma serenidade:
“Para tocar a sua vida. Para ensinar o seu coração. Para deixar em você algo que não existiria se elas nunca tivessem passado pelo seu caminho.”
Ainda havia um peso dentro de mim.
“Então por que perdê-las parece como perder uma parte de mim?”
A Sabedoria respondeu:
“Porque você não sente falta apenas do que perdeu. Sente falta também da vida que imaginava viver ao lado daquilo.”
Dessa vez, fiquei em silêncio.
Depois de alguns instantes, fiz outra pergunta.
“Então, quando o que eu amo vai embora… o que fica?”
Ela respondeu:
“Fica aquilo que essa experiência transformou em você. A profundidade que ela trouxe. A sensibilidade que despertou. A sabedoria que deixou. E a capacidade de amar outra vez.”
Assenti com a cabeça.
“Então nem tudo o que é bonito foi feito para permanecer?”
Ela sorriu.
“Não. Algumas coisas chegam para deixar uma marca, não para ficar para sempre.”
Olhei para o chão por alguns segundos. Restava apenas uma pergunta.
“E como eu sigo em frente?”
A Sabedoria respondeu:
“Honre o que foi. Deixe partir o que se foi. Leve consigo o que a vida lhe deu. Não tente carregar o que a vida levou. E mantenha o coração aberto, apesar de tudo.”