Um lobo vivia entre os coelhos. Escondia os dentes, abaixava a voz e caminhava devagar para que ninguém o temesse. Tudo o que queria era ser amado.
Sempre que a fome despertava, ele a reprimia. Dizia a si mesmo: “Não seja demais. Não os assuste. Seja gentil. Seja pequeno.” E obedecia. Com o tempo, deixou de ser quem era.
Os coelhos o elogiavam. Diziam que ele não era como os outros lobos, que era inofensivo, que era bom. Ainda assim, havia um vazio que elogio nenhum conseguia preencher.
Um dia, um falcão pousou ao seu lado e disse: “Eles não amam você. Amam apenas a versão de você que não os ameaça. No dia em que mostrar os dentes, dirão que você mudou. Que ficou perigoso. Que se tornou egoísta.”
Naquele instante, o lobo compreendeu que estava sacrificando a própria natureza para conquistar uma aceitação que desapareceria no momento em que deixasse de se diminuir.
Então, parou de se desculpar. Parou de se esconder. Mostrou os dentes.
Os coelhos fugiram.
Mas ele voltou a reconhecer a si mesmo.
A lição: Não diminua quem você é para que os outros se sintam confortáveis. Quem só permanece ao seu lado enquanto você se enfraquece nunca amou você de verdade.
Seja inteiro.