Nem tudo o que parece uma derrota hoje é, de fato, uma derrota.
Deixa eu te provocar. Coisas que tiravam o teu sono há alguns meses hoje você nem lembra mais. E eu te garanto: há coisas que estão tirando o teu sono agora e que, daqui a alguns meses, você vai enxergar de um jeito completamente diferente. O problema é que, enquanto estamos vivendo a história, quase sempre interpretamos os acontecimentos cedo demais.
Essa, para mim, é uma das grandes lições de Lucas 24. O capítulo encerra o Evangelho segundo Lucas, o médico que acompanhou Paulo. Ele não foi testemunha ocular da vida de Cristo, mas realizou uma pesquisa histórica cuidadosa e nos deixou um relato extraordinário.
Depois da crucificação, tudo parecia acabado. Os discípulos estavam perdidos. As mulheres, perplexas. Tudo aquilo em que haviam colocado sua esperança parecia ter chegado ao fim. Os discípulos no caminho de Emaús resumem esse sentimento em poucas palavras: “Nós esperávamos…”. Para eles, a história já tinha terminado.
Mas não tinha. A ressurreição muda completamente o significado da cruz. O mesmo acontecimento que parecia representar a maior derrota torna-se o maior símbolo de vitória da história. Os fatos não mudaram. O que mudou foi a compreensão deles.
Lucas 24 nos lembra de uma verdade importante: o maior erro nem sempre é enfrentar uma derrota. É acreditar cedo demais que já entendemos o significado dela. Enquanto a história não termina, ainda é cedo para dizer que ela terminou mal.