Se tem uma coisa que eu aprendi faz tempo é que não dá para discutir com o resultado. Se alguém tem um resultado que eu não tenho, quem sabe alguma coisa que eu não sei ou faz alguma coisa que eu não faço, talvez nem tenha disposição para fazer. Mas não dá para discutir com o resultado.
João, capítulo 9, me trouxe duas reflexões.
A primeira é justamente essa.
Em João 9, Cristo cura um cego de nascença. As pessoas não conseguem aceitar o milagre. Tentam investigar para saber se o homem realmente era cego. Chamam até os pais para testemunhar. Questionam o próprio homem. Mas havia um fato impossível de negar: ele era cego e agora enxergava.
Quando perguntam quem era Cristo, ele responde: “Eu não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo.”
Não dá para discutir com resultados.
Aliás, esse é um tema recorrente no Evangelho de João. Cristo revela quem é por meio dos sinais que realiza. E esse milagre, inclusive, é narrado apenas por João.
Mas o capítulo também traz uma segunda reflexão.
Os apóstolos perguntam a Cristo se a cegueira daquele homem era consequência de um pecado dele ou de seus pais. Na cultura da época, acreditava-se que toda adversidade era consequência de alguma falha. Aliás, muita gente ainda pensa assim.
Cristo ensina outra coisa. A cegueira daquele homem existia para que a grandeza de Deus se tornasse evidente. E foi exatamente isso que aconteceu por meio do milagre narrado por João.
Isso continua atual. Muitas vezes, pensamos que os problemas da nossa vida são consequência das nossas falhas ou das falhas dos nossos pais. Mas nem todo sofrimento é punição. Às vezes, aquilo que hoje parece apenas uma dor se torna o cenário onde algo maior será revelado.
O sofrimento nem sempre revela uma culpa. Às vezes, revela um propósito. A diferença está na forma como aprendemos a enxergar.
João, capítulo 9.