Assisti a um monólogo emocionante de Moacyr Franco. Um artista que passou a vida inteira nos palcos e que, aos 90 anos, refletia sobre o tempo.
Em determinado momento, brinca tentando lembrar uma música:
🎶 “Muito prazer em revê-la, você está bonita…”
“Não, não é essa.”
Depois tenta outra:
🎶 “Você me pede, na carta, que eu desapareça, que eu nunca mais te procure…”
“Também não é essa.”
Até que interrompe a própria brincadeira e muda completamente o tom.
“Eu queria saber quanto tempo falta. Imagina para mim, que já estou nos 90. Mas, como estamos no meio da música, no meio do espetáculo, o que eu quero saber é: que hora é o encerramento? Que dia?”
E continua:
“É horrível estar no palco, atuando, sem ter noção de quando será o fim. Tomara que seja bonito.”
Depois vem a frase que mais me marcou:
“A única coisa que eu quero ter certeza, mesmo, é que vou amanhecer.”
E, por fim, uma reflexão simples, mas devastadora:
“O tempo não passa. O tempo para e espera a gente passar.”
Naquele instante, percebi que ele já não falava do palco.
O espetáculo continua. Um dia, apenas muda o protagonista.