É fácil enxergar o pecado do outro. Difícil é olhar para o próprio. Julgar, condenar, apontar o dedo… tudo isso costuma vir com naturalidade. Aplicar a mesma régua aos nossos próprios erros já não é tão simples. Para mim, essa é a essência da hipocrisia.
Há muito tempo me convenci de que estou longe de ser santo. Também erro. Também peco. Por isso, ainda que eu reconheça o erro de alguém, não me compete julgá-lo, muito menos condená-lo. Esse nunca foi o meu papel.
Essa foi uma das grandes reflexões que tirei de João, capítulo 8. Ali encontramos, de maneira exclusiva entre os Evangelhos, a história da mulher apanhada em adultério, levada até Jesus para ser condenada. Segundo a Lei de Moisés, o adultério era um pecado passível de pena de morte. Os acusadores esperavam que Jesus confirmasse a sentença.
Mas Jesus responde de forma surpreendente: “Quem dentre vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra.” Um a um, todos vão embora.
Existe, porém, um erro bastante comum na interpretação dessa passagem. Tem gente que conclui que Jesus simplesmente deixou o pecado passar. Não foi isso que aconteceu. O único ali que realmente não tinha pecado era justamente quem poderia condená-la. E foi Ele quem escolheu não fazê-lo.
Mas Jesus também não foi conivente. Ele reconheceu o pecado, ofereceu perdão e fez um chamado claro à transformação: “Vai e não peques mais.”
Justiça sem misericórdia é crueldade. Misericórdia sem verdade é conivência. Cristo não escolheu entre uma e outra. Ele mostrou que a verdade e a misericórdia caminham juntas.
João 8 é um capítulo extraordinário. Vale muito a pena estudá-lo em profundidade.