Durante anos, boa arquitetura era vista como uma questão de elegância técnica. Modularidade, nomes claros, baixo acoplamento: todo mundo concordava que era desejável, mas ninguém conseguia colocar um preço na ausência disso.
Agora consegue.
A IA transformou arquitetura em um problema econômico.
Cada vez que um agente precisa carregar meio repositório para mudar uma linha, isso vira token. E token vira fatura. A dívida de design, que antes cobrava juros em tempo, passou a cobrar em dinheiro, todo mês.
Uma das ideias mais interessantes que ouvi no último retiro da Thoughtworks sobre o futuro do desenvolvimento de software foi esta: o custo em tokens de uma mudança é uma medida indireta da qualidade da arquitetura.
Se a mesma alteração exige menos contexto e menos tokens, provavelmente o sistema é mais fácil de entender e modificar.
Com um porém importante, que faço questão de sustentar no artigo: isso funciona como um alarme de fumaça, não como um certificado. Custo alto para uma mudança pequena denuncia acoplamento e baixa coesão. Custo baixo, sozinho, não prova nada. Dá para reduzir tokens escondendo complexidade em vez de eliminá-la.
Foi justamente essa hipótese que me levou a escrever um artigo sobre o tema.
Nele, discuto como interpretar esse sinal sem cair na armadilha de otimizá-lo, e principalmente o que realmente reduz esse custo de forma estrutural, em vez de apenas escondê-lo.
Sai em breve no Insights da eximia.co.
Enquanto isso, deixo uma pergunta para quem lidera engenharia: Você conhece o custo da sua arquitetura ou apenas o valor da conta da IA?