Há algum tempo, parei de acessar portais de notícias. No lugar disso, peguei os feeds, criei um agendamento e deixei uma agente de IA fazer o trabalho. Todos os dias, ela coleta o conteúdo, organiza, resume e me entrega o essencial. Eu não interajo mais com o portal. Interajo com a agente.
O portal continua existindo. Mas deixou de ser o lugar da experiência.
Quando olho para o e-commerce, me parece inevitável que o mesmo aconteça. Não vou mais “entrar” em lojas. Vou delegar intenção. Um agente vai entender o que preciso, comparar opções, avaliar confiança e executar. Não é por acaso que big techs já se movem nessa direção: a OpenAI integrou compras diretamente no ChatGPT, a Stripe co-desenvolve protocolos para transações entre agentes, e a Microsoft investe em agentes de catálogo e descoberta para o varejo. Projeções indicam que, no B2B, até 90% das compras podem ser intermediadas por agentes de IA até 2028, e que o agentic commerce pode movimentar de 3 a 5 trilhões de dólares globalmente até 2030.
A interface deixa de ser visual. Passa a ser cognitiva.
Quando um agente compra por você, o site deixa de ser o lugar da escolha. A decisão acontece antes, na síntese produzida por um modelo. A vitrine não é mais a home. É a resposta. Não por acaso, menos de 10% das fontes citadas por motores generativos coincidem com os principais resultados de buscadores tradicionais.
É aqui que entram dois conceitos centrais. Agentic commerce trata da execução. Agentes que entendem intenção, avaliam opções, negociam condições e transacionam. Não clicam. Decidem. Para eles, conversão não é persuasão. É clareza, confiabilidade e dado verificável.
GEO trata da descoberta. Se antes disputávamos ranking em buscadores, agora disputamos citação em respostas gerativas. Pesquisas indicam que técnicas de GEO podem aumentar a visibilidade em respostas de IA em até 40%. Se a IA não te menciona, você não está mal posicionado. Você simplesmente não entrou no raciocínio.
Isso desloca o centro de gravidade das empresas. Do marketing para a arquitetura. Do design para o dado. Do funil para o protocolo.
Conteúdo vira infraestrutura. Documentação vira marketing. Catálogo vira argumento. API vira ponto de venda.
Máquinas não se impressionam. Elas conectam. Operam sobre o que está explícito, estruturado e verificável.
Vender deixa de ser convencer alguém. Passa a ser fazer sentido para um sistema que só respeita coerência.