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01/05/2026

Mateus 3 reforça uma coisa que já vinha aparecendo antes: ele escreve pensando em um público judeu. Dá para perceber isso pela forma como ele apresenta João Batista. Ele não descreve só o personagem, ele ancora João em Livro de Isaías 40:3. Isso muda a leitura. João deixa de ser só um pregador no deserto e passa a ser alguém esperado dentro da narrativa que esse público já conhecia.

O próprio João é construído com esses sinais. O deserto como lugar de preparação, o estilo de vida simples, tudo lembra Elias. Para quem lia, isso não era detalhe. Era um indicativo de autoridade. E, ao mesmo tempo, a forma como ele confronta fariseus e saduceus mostra que a crítica não era leve. Não é uma tentativa de ajuste fino na prática religiosa. É uma crítica mais profunda, como se dissesse que o problema não estava na forma, mas na base.

Quando Jesus aparece para ser batizado, isso me chama atenção por um motivo específico. Ele não precisava estar ali, mas escolhe participar do mesmo rito que o povo. Não é um gesto neutro. Parece mais uma decisão consciente de se colocar junto, não acima. E aí entram os elementos que o texto destaca, como o Espírito descendo e a voz dos céus. Para quem lê dentro desse contexto, isso funciona como uma confirmação, não só do que está acontecendo ali, mas de quem Jesus é.

Se olhar com mais cuidado, a fala “Este é meu Filho amado” não surge isolada. Ela conversa com ideias que já estavam no Livro de Salmos e no Livro de Isaías. Isso sugere um tipo de Messias que talvez não fosse o mais esperado. Não alguém que simplesmente assume poder, mas alguém que também assume um papel de entrega. Esse ponto, para mim, ajuda a entender por que o texto insiste tanto nessas conexões.

E, olhando para o efeito disso tudo, parece que Mateus não estava só interessado em registrar eventos, mas em construir uma leitura possível para o que estava acontecendo. Ele claramente tenta mostrar que existe coerência entre o que foi prometido e o que ele está narrando. Ainda assim, a maior parte dos judeus não reconheceu Jesus como Messias. Ao mesmo tempo, o texto foi suficiente para sustentar comunidades que passaram a ler a história dessa forma. Então não foi uma adesão ampla, mas também não foi irrelevante.

30/04/2026

Mateus 2 continua mostrando, de forma bem intencional, como os acontecimentos em torno do nascimento de Jesus se conectam com as profecias do Antigo Testamento. Não parece acidental. O texto dá a sensação de que está sendo escrito para leitores judeus, gente que reconheceria essas referências e perceberia que não se trata de eventos isolados, mas de continuidade de uma história que já vinha sendo contada há muito tempo.

Na superfície, o capítulo narra a chegada dos magos do Oriente guiados por uma estrela, a ida deles até Jerusalém, o encontro com Herodes, o Grande, e depois a ida até Belém, onde encontram o menino e oferecem seus presentes. Em seguida, a narrativa muda de tom. José é avisado em sonho, a família foge para o Egito, Herodes reage com violência e manda matar as crianças, e só depois da morte dele é que a família retorna, estabelecendo-se em Nazaré. É uma sequência de movimentos, quase sem pausa, como se a estabilidade não fosse uma opção naquele momento.

Mas o ponto central parece estar nas conexões que Mateus faz o tempo todo. O nascimento em Belém não é apenas um detalhe geográfico, ele remete diretamente ao que já havia sido anunciado. A ida ao Egito e o retorno são apresentados como cumprimento de algo que já estava dito. Até o choro pelas crianças mortas é ligado a uma memória anterior do povo. Mateus não apenas conta o que aconteceu, ele interpreta o que aconteceu à luz das Escrituras, como alguém que quer mostrar coerência, continuidade e, de certa forma, validação.

Quando a gente observa com mais calma, alguns contrastes começam a aparecer. Herodes representa o poder estabelecido, que se sente ameaçado e reage tentando eliminar o risco. Os líderes religiosos sabem onde o Messias deveria nascer, mas não demonstram qualquer movimento. Já os magos, que vêm de fora, sem o mesmo repertório, fazem um caminho longo para chegar até Jesus. Isso cria uma tensão interessante entre saber e agir, entre proximidade e percepção.

E, no fundo, o capítulo também sugere algo mais sutil. A revelação não acontece de forma centralizada nem controlada. Ela surge em lugares improváveis, é reconhecida por quem não era esperado, e precisa ser protegida desde o início. Ao mesmo tempo, existe uma condução que não é explícita, mas está presente nos sonhos, nos desvios de rota, nas decisões tomadas no limite. Mateus 2 acaba funcionando como uma espécie de introdução ao que vem pela frente: uma história que se ancora no passado, mas que começa a se desdobrar de um jeito que nem todos estavam prontos para perceber.

29/04/2026

Mateus 1 vem logo depois de Malaquias. Mas com um intervalo de cerca de quatrocentos anos. Nesse período, houve o domínio grego, com Alexandre, o Grande, depois os reinos helenísticos, a revolta dos macabeus e, por fim, o domínio romano. Não houve novos textos proféticos canônicos, mas houve transformação cultural, política e religiosa. Quando Mateus começa, o mundo já é outro.

O capítulo abre com uma genealogia que parece só uma lista, mas é uma construção bem pensada. Ele liga Jesus Cristo a Abraão e a Davi, conectando promessa e realeza. Não é uma árvore completa no sentido moderno. Há cortes e organização intencional. Os três blocos de catorze gerações indicam que Mateus está preocupado com estrutura e significado. Há também características do próprio livro que aparecem aqui desde o início. Mateus escreve pensando em um público judeu, faz questão de mostrar cumprimento de promessas e, ao longo do evangelho, recorre com frequência a expressões como “para que se cumprisse”. É um texto que tenta amarrar passado e presente o tempo todo.

No meio da genealogia, aparecem mulheres, o que chama atenção. Tamar surge na história de Judá, em um episódio marcado por engano e exposição familiar. Raabe era uma estrangeira em Jericó, associada à prostituição, que decide proteger os espias de Israel. Rute também era estrangeira, moabita, e sua história é marcada por lealdade e reconstrução. Bate-Seba aparece de forma indireta, como “a mulher de Urias”, lembrando o episódio envolvendo Davi. E, por fim, Maria, cuja gravidez antes do casamento cria tensão logo no início da narrativa. Não são personagens neutras. Cada uma carrega uma história complexa, e a presença delas muda o tom da genealogia.

Depois da lista, o texto se concentra em José. Ele descobre a gravidez de Maria antes do casamento. Pela lei, poderia expor a situação. Decide não fazer isso. O texto o chama de justo, mas essa justiça aparece como equilíbrio. Ele tenta resolver sem causar mais dano. A intervenção vem por meio de um sonho, quando um anjo explica o que está acontecendo. Esse detalhe dos sonhos lembra José em Gênesis e cria continuidade.

O capítulo apresenta também o nome “Emanuel”, Deus conosco. Se antes havia expectativa, agora aparece a ideia de presença dentro da história. Mateus 1 não é só uma introdução. Ele organiza o passado e aponta para o que vem depois, conectando promessas antigas com o início de algo novo.

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