Anthropic removeu, por determinação do governo americano, o acesso ao modelo Fable 5.
A ordem original dizia para remover apenas o acesso de cidadãos estrangeiros. Mas a empresa optou por remover o acesso de todos.
Há duas perspectivas. Acho que devemos analisar ambas.
A primeira é que se trata de um reconhecimento institucional do “poder de fogo” da IA. Tempos atrás, o governo chinês já havia interferido na aquisição do Manus pela Meta. Agora, vemos uma ação semelhante por parte do governo dos EUA. Exageros? Talvez. Mas é difícil ignorar que modelos de IA estão começando a ser tratados como ativos estratégicos.
A segunda é que a própria Anthropic deu força a essa narrativa. Ela sustentou que o Mythos, modelo base do Fable, era poderoso demais para ser liberado sem travas. Que poderia derrubar a internet ao encontrar falhas em projetos críticos para o funcionamento da rede. Honestamente, achei tudo isso alarmista demais. Ainda assim, ao defender publicamente que o modelo representava um risco inédito, a Anthropic acabou fortalecendo a tese de que ele deveria ser tratado como tecnologia sensível.
Isso, por incrível que pareça, na minha avaliação, é bom para a Anthropic e também para o próprio governo americano. Afinal, quem não gostaria de dizer que possui uma IA tão poderosa a ponto de ser considerada um ativo estratégico ou um recurso de uso restrito?
No fim das contas, governos ganham ao justificar medidas de controle. Empresas ganham ao reforçar a percepção de que estão na fronteira tecnológica. E o público assiste a tudo isso recebendo uma mensagem bastante clara: a corrida pela IA deixou de ser apenas uma disputa comercial. Ela passou a ser, também, uma disputa geopolítica.