No próximo domingo, vou subir ao palco pela primeira vez para tocar uma música. E não vou estar sozinho. Vou tocar Wish You Were Here ao lado do meu filho mais novo, o Otávio.
Só isso já faria esse momento valer a pena.
Estamos ensaiando bastante. Vamos tocar uma versão simplificada da música. Mas, durante um dos ensaios, meu professor me disse uma frase que ficou na minha cabeça.
Wish You Were Here não é uma música impossível de tocar, mas também não é fácil. Os solos têm várias pequenas armadilhas. Já venho estudando uma versão mais próxima da gravação, mais rica, mais fiel ao original. Mesmo assim, decidi que, no domingo, vou tocar a versão simplificada.
Quando contei isso ao meu professor, ele respondeu:
“Nos ensaios, você pode experimentar a versão mais difícil. Mas, no palco, na hora da verdade, toque na sua região de segurança.”
Aquilo fez todo sentido.
Existe uma tentação de transformar a execução em demonstração. De tentar provar tudo aquilo de que somos capazes justamente quando mais importa. Mas não é para isso que existe o palco.
A hora da execução é o momento de entregar aquilo que já foi consolidado.
O objetivo do ensaio não é apenas aprender o difícil. É fazer com que o difícil deixe de ser um risco.