Márcia, minha agente virtual feita no OpenClaw, tem sido de uma ajuda gigantesca. Mas não é perfeita.
Maior desafio? Contexto.
Ela compacta memória. E toda vez que compacta, algo se perde. O que eu aprendi? Se desejo que algo não seja esquecido, preciso decidir conscientemente onde aquilo vai morar.
Eu organizo a memória dela em arquivos específicos. O que é executado com frequência vira um skill. O que define nossa relação vai para o SOUL.md. O que é sobre mim fica no USER.md. O que orienta a forma como ela opera vai para o AGENTS.md. Pessoas, empresas e conceitos vivem no vault. Cada arquivo é uma decisão sobre o que merece persistir.
A memória de um agente não é como a nossa. Não é contínua. Não é implícita. É arquitetura.
Você não ensina um agente apenas convivendo com ele. Convivência gera sinais. Ele aprende padrões e ajusta respostas. Mas sem registro, esse aprendizado evapora na próxima compactação. O que sustenta consistência é documentação. Estrutura. Inteligência percebida é função da qualidade do contexto disponível.
Hoje ela confundiu o dia. Criou um diário do dia 16 quando ainda era 15. O servidor roda em UTC. Eu estava em São Francisco. Faltou contexto temporal. Quando corrigi, ela corrigiu. E o ajuste ficou registrado.
Esse é o padrão. Falha vira aprendizado. Aprendizado vira registro. Registro vira contexto na próxima sessão.
A boa notícia? Se eu registrar no lugar certo, ela não esquece. Não tem preguiça. Relê tudo. Todos os dias. O limite do agente é o limite da disciplina de quem o projeta. Quando o agente parece inconsistente, quase sempre é falha de arquitetura, não de inteligência.
É trabalhoso? Sim. Mas é o mesmo trabalho de onboarding de um profissional novo. A diferença é que esse profissional não se cansa, não pede demissão e melhora a cada sessão.
Estamos usando a pior versão dessa tecnologia das nossas vidas. E quanto melhor for nossa arquitetura de contexto, maior será o salto das próximas versões.