ENSAIO AVULSO
14 de fevereiro de 2026 · 1 min de leitura

AgentEx

AgentEx. Outro conceito novo que conheci com Martin Fowler.

Ele cita a provocação da Laura Tacho: o diagrama de Venn entre Developer Experience e Agent Experience é um círculo.

Isso reforça algo que digo há tempos. O que precisamos fazer para a IA performar bem é exatamente o que já deveríamos estar fazendo para as pessoas performarem bem.

Tooling claro. Ambiente previsível. Fronteiras explícitas. Bons nomes. Modularidade real.

Boa engenharia. Só isso.

Existe uma fantasia de que o modelo tem um “Galaxy Brain”. Que entende qualquer código caótico. Que reconstrói intenção a partir de fragmentos.

Na verdade, é genial. Mas sempre um gênio com amnésia.

Ele raciocina com profundidade impressionante. Conecta padrões. Propõe soluções sofisticadas. Mas não viveu as decisões. Não conhece o contexto implícito. Não lembra por que algo foi feito daquele jeito. Depende totalmente do ambiente que encontra.

Se o contexto é claro, ele brilha.

Se é confuso, ele improvisa.

LLM não substitui arquitetura. Amplifica o que encontra.

Se a base é desorganizada, acelera o caos.

Se é bem estruturada, acelera a construção.

O que muda agora é a prioridade. Lideranças começam a investir em DevEx porque perceberam que isso melhora a performance da IA. Organizam pipelines. Padronizam interfaces. Tornam dependências explícitas.

Durante anos, isso foi tratado como detalhe operacional.

AgentEx não é pauta de ferramenta. É pauta de gestão.

Não existe Agent Experience sem boa Developer Experience. Se o sistema não é compreensível para uma pessoa, também não será verdadeiramente compreensível para uma máquina.

A IA não elimina a necessidade de clareza. Ela expõe a falta dela.

No fim, talvez o “gênio com amnésia” esteja nos obrigando a fazer o que sempre foi básico.

Arquitetura com intenção. Engenharia legível. Ambiente que favorece julgamento.

Nada futurista.

Só maturidade.

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