Daniel 7 inaugura a seção apocalíptica e retoma o tema dos impérios já apresentado no capítulo 2, agora sob outra perspectiva. O que antes era estátua imponente torna-se feras que emergem do mar, símbolo de caos. A mudança é teológica: o poder humano, visto do céu, revela sua natureza bestial.
Quatro animais representam quatro reinos sucessivos. O quarto é descrito como diferente e terrível, de onde surge um “chifre pequeno” arrogante que persegue os santos. O foco não é apenas cronológico, mas moral: quando o poder se absolutiza, ele se desumaniza.
A cena então se desloca para o tribunal celestial. O “Ancião de Dias” se assenta, os livros são abertos e o domínio da besta é retirado. O contraste é claro: reinos sobem do caos; o trono já está estabelecido. O mal tem limite.
Surge “um como filho do homem”, vindo com as nuvens, recebendo domínio eterno. A figura contrasta com as feras: o reino não nasce da violência, é concedido. Posteriormente, essa imagem será associada a Jesus Cristo, mas no próprio texto já aponta para a supremacia final do Altíssimo.
Daniel termina perturbado. A visão não suaviza a história, mas redefine seu eixo. Impérios são provisórios; o juízo é permanente; o domínio final pertence a Deus e aos seus santos.