Daniel 6 acontece após a queda da Babilônia. Dario assume o governo e coloca Daniel entre os principais administradores. Ele se destaca por competência e integridade. A inveja dos outros líderes gera uma armadilha: convencem o rei a decretar que, por trinta dias, ninguém poderia fazer petição a qualquer deus além do próprio rei. A pena seria a cova dos leões.
Daniel sabe do decreto. Continua orando três vezes ao dia, como sempre fez. Não protesta. Não negocia. É denunciado. O rei percebe que foi manipulado, mas está preso à própria lei. Daniel é lançado na cova. Pela manhã, está vivo. Deus fechou a boca dos leões. O rei então reconhece publicamente a superioridade do Deus de Daniel.
O ponto do capítulo não são os leões. É o centro. O decreto não exigia que Daniel deixasse de crer, apenas que suspendesse por trinta dias a prática pública da sua fé. Parece pouco. Parece temporário. Mas a oração não era detalhe na vida de Daniel. Era o que organizava sua consciência, alinhava suas decisões e lembrava a quem ele pertencia. Fechar a janela significaria aceitar que o império poderia definir quando Deus teria espaço na sua vida. Não seria um ajuste tático. Seria deslocar quem governa seu interior.
O rei descobre que o sistema que criou o aprisiona. Daniel também é colocado numa prisão, mas permanece livre por dentro. Um depende de estrutura frágil. O outro está ancorado em fundamento permanente.
Impérios passam. Leis falham. O que permanece é Deus e a fidelidade de quem decide não sair do seu lugar interior.