Crença de luxo. Um conceito interessante. Confere status porque só pode ser vivida por quem tem dinheiro para sustentá-la.
Na nossa sociedade politicamente correta, uma crença no discurso às vezes ocupa o lugar de uma bolsa de grife. Um carro importado. Ou um relógio caro.
Crenças caras. Lindas, mas inacessíveis. Sinalizam superioridade. Cabem na cabeça. Só não cabem no bolso da maioria.
É preciso ter muito dinheiro para dizer, por exemplo, que só se deve trabalhar com o que se ama. Ou que os jovens buscam propósito mais do que dinheiro. Só quem nunca sentiu falta de dinheiro consegue dizer, de verdade, que ele não importa.
Para muita gente, trabalho não é expressão de identidade. É pagar as contas no fim do mês. É garantir alguma estabilidade para a família. Nessas condições, esperar pelo trabalho ideal pode simplesmente não ser uma opção.
Claro que trabalhar com o que se ama é ótimo quando acontece. Mas transformar isso em regra universal ignora uma realidade simples. Primeiro vem a necessidade. Depois vem a escolha.
Esse é só um exemplo.
Tenho visto crenças de luxo por todos os lados. Atacam empresas. Questionam a família. Relativizam a igreja.
Vêm sempre bem vestidas. Ideais ecológicos. Sustentáveis. Inclusivos.
Curiosamente, até o capitalismo vira alvo. Ultimamente, quase todo comunista militante que encontro é rico.
A mesma lógica aparece em outras áreas. Alimentação, por exemplo. Dieta boa começa com boas escolhas. Todo mundo concorda. O que quase ninguém diz é que boas escolhas raramente são baratas.
As tais “boas escolhas” quase nunca aparecem no bife a quilo que o trabalhador frequenta.
Parece intelectualidade.
Na maior parte das vezes é só ostentação moral. Com uma dose de hipocrisia que nem sempre é ingênua.