Quando a responsabilidade autoriza o comportamento irresponsável

Estamos, a maioria, em casa. Nossas rotinas não são as mesmas. Boa parte das atividades econômicas estão paradas. Aqueles que ainda não foram impactados diretamente pela crise, estão cada vez mais próximos dela.

Em momentos assim, onde centenas morrem, todos os dias, por uma doença nova sem previsões de quando isso irá parar de acontecer, o mais responsável a fazer é concentrar energias no que nos afaste do pior. Entretanto, há quem pense diferente e até se aproveite disso.

Em tempos onde o foco é, como não poderia deixar de ser, combater a pandemia que está assolando o mundo, beneficiam-se os canalhas aproveitadores que, descaradamente, “sambam” na cara da sociedade.


Eu, honestamente, acho que o ex-ministro da Saúde “passou do ponto” e, em muitos casos, agiu mais como político do que como médico. Hoje, de maneira quase arrogante, ele fala sobre “exoneração da ciência”. Entretanto, mesmo equivocado, é difícil justificar sua substituição.

Em que sentido a ação do Presidente, demitindo Mandetta, mostrou-se vantajosa para o Brasil? Qual fato novo o novo fantoche Ministro apresentou? Que progresso fizemos? Na prática, estamos mais desinformados do que antes.


Não tenho capacidade técnica para julgar a legalidade ou, até mesmo, a moralidade do ex-Ministro da Justiça, quanto a sua conduta, enquanto juiz na operação Lava Jato. Tenho simpatia por ele, não nego. Gostei de ter visto gente importante sendo presa por crimes que, todos acreditamos, cometeram. Entretanto, confesso que fiquei desapontado quando ele abandonou a magistratura para se tornar Ministro de Estado. Razão: julgava-o um Juiz bom, mas tinha suspeitas de sua capacidade política.

Não tenho dúvidas que Moro, como ex-magistrado, não faria as acusações que fez sem provas inquestionáveis. É evidente que ele tem como provar tudo o que está dizendo – ou pelo menos quase tudo.


A resposta do Presidente às acusações, afastando-se do técnico e aproximando-se do emocional, foi uma demonstração demagógica que, de tão insólita, é eficaz.

O fato é que o presidente tem carisma para “ler o tabuleiro” e, de maneira carismática, falar com uma boa parcela da população que, realmente, não acha errado o “chefe supremo” ter o comando de tudo. Afinal, nosso país se esforçou tanto para desacreditar a polícia que ela, agora, realmente é desacreditada.


Outro dia, um bando de retardados cidadãos, aglomerou-se em manifestação pública contra os poderes do Estado e pediram pelo fim da Democracia. Nosso presidente, cometeu a proeza de discursar para esse povo que tinha, majoritariamente, faixas apoiando um golpe militar que nem mesmo os militares consideram razoável.


Nos Estados, os senhores governadores estabelecem práticas questionáveis de compra superfaturadas.


Enquanto o circo de horrores se intensifica, a “nova política” se aproxima do pior da “velha política”. O centrão podre da política Brasileira é o apoio que o Presidente consegue.


Em uma demonstração patética de força e apoio, o Ministro da Economia, que andava quieto e sumido, apareceu e falou um bocado para não dizer nada.


Enquanto isso, velhas raposas ensaiam retorno dos vales da insignificância com discursos vazios e tão populistas quanto do nosso Presidente.


A insanidade desvairada perdeu o pudor e deixou de negar que, realmente, não tem vergonha na cara.

O fato é que nossa atenção concentrada no COVID-19 garante a estabilidade da irresponsabilidade do “comando supremo” e sua família imbecil. O mesmo para os fantasmas do passado vermelho recente, que estão mais soltos e ricos. Está mais seguro, inclusive, para os vampiros que ainda se escondem nos corredores escuros da casa do povo.

Por sermos responsáveis, não podemos perder tempo com eles. Por isso, eles, canalhas, todos, se demonstram mais irresponsáveis do que nunca.

#VaiPassar #ElesVãoPassar

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Elemar Júnior

Sou fundador e CEO da EximiaCo e atuo como tech trusted advisor ajudando diversas empresas a gerar mais resultados através da tecnologia.

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