Simon morre no capítulo 9 de O Senhor das Moscas.
Ele retorna do alto da ilha trazendo a verdade que ninguém queria ouvir: o “monstro” não é uma criatura viva. Mas o grupo já está além do ponto da escuta. Em meio à tempestade, ao medo e ao transe coletivo, Simon é confundido com aquilo que todos temem. Não é um assassinato planejado; é o colapso total da razão sob excitação e pânico compartilhados.
Golding é preciso e cruel no significado. Simon não morre porque estava errado, mas porque estava certo demais, cedo demais. Ele ameaça a narrativa que sustenta o grupo. E grupos, quando organizados pelo medo, tendem a eliminar quem desmonta o mito que os mantém coesos.
A cena sela a tese do livro: quando a verdade não encontra linguagem coletiva, ela vira ruído; e o ruído é silenciado. A partir daqui, não é mais possível fingir que tudo foi “acidente”. A ilha já escolheu o que recompensa. E não é lucidez.
