Estou em LA nesses dias. O que mais me chamou a atenção? A quantidade de carros da Waymo. Carros sem motorista, andando sozinhos. Em todos os lugares.
No começo, você estranha. Depois, normaliza. Eles estão no semáforo, virando esquina, parando com uma calma quase excessiva para o pedestre atravessar. Circulam como parte do trânsito comum. Em pouco tempo, viram pano de fundo.
A Waymo é a empresa da Alphabet, controladora do Google, que opera esses carros totalmente autônomos. Sem alguém no volante. Sem condutor de segurança. O carro dirige sozinho mesmo.
E não é demonstração. É serviço.
As pessoas chamam esses carros. O Waymo One funciona como um Uber: você abre o app, pede a corrida, o carro chega e te leva. Só que sem ninguém dirigindo. Esses veículos passam o dia inteiro rodando, buscando gente, deixando gente, repetindo o ciclo. Trabalhando.
Até os carros ajudam a normalizar a experiência. São modelos comuns, reconhecíveis na rua. Câmera ali, sensor aqui. Mas nada demais.
O mais impressionante é que não há espetáculo. Ninguém aponta. Ninguém fotografa. A cidade não reage. A tecnologia simplesmente opera.
Quando algo chega nesse ponto, muda de categoria. Deixa de ser futuro. Vira infraestrutura. E infraestrutura não precisa convencer ninguém. Só precisa funcionar.
Foi aí que me veio a pergunta. Será que parte do ceticismo com IA no Brasil não é, no fundo, falta de repertório? Porque, para quem vê um carro trabalhando sozinho o dia inteiro, tomando decisões no mundo físico, lidando com trânsito, pedestres e imprevistos, como se impressionar com uma IA operando como assistente?
O futuro, aqui, não chegou fazendo barulho. Chegou quieto. Virou hábito. E quando vira hábito, a pergunta deixa de ser se isso é possível e passa a ser o que isso está reorganizando em nós enquanto a gente nem percebe.