Arquitetura de software é a arte de fazer as perguntas certas, na hora certa, e garantir que elas sejam respondidas.
Existem três perguntas que definem qualquer sistema. E sim, a ordem importa.
Primeira pergunta: vale a pena construir?
O arquiteto precisa falar com o negócio. Entender o problema. Entender para quem aquilo importa. Tornar explícitas as incertezas. Quais hipóteses precisam ser validadas? O que precisa ser verdade para que isso faça sentido? Antes de escolher tecnologia, escolhe-se o que aprender. IA ajuda a testar mais rápido e reduzir o custo da experimentação. Mas decidir o que merece ser validado é julgamento humano.
Segunda pergunta: o design aguenta o que o negócio espera?
Se vale a pena fazer, precisa sustentar o plano. Quantos usuários? Quanto crescimento? Que tempo de resposta é aceitável? Quanto tempo fora do ar é tolerável? Que nível de segurança é necessário? Aqui eu uso IA como contraponto. Peço para criticar meu design. Para apontar falhas que posso estar ignorando. Para levantar riscos escondidos. Para sugerir alternativas. Ela amplia o campo de visão e acelera cenários. Mas contexto não se terceiriza. Se a solução não sustenta o caso de negócio, a falha é de julgamento.
Terceira pergunta: quanto vai custar e qual o risco de manter isso de pé?
Sistema não vive no lançamento. Vive na mudança. Cada decisão técnica cria custo acumulado e risco estrutural. Manter começa na especificação. Sistema bem especificado, mesmo com IA, tende a ter implementação bem feita. Especificação vaga vira improviso. E improviso vira legado instantâneo. IA pode revisar, sugerir melhorias, identificar pontos frágeis. Mas não transforma ambiguidade em clareza. Se o risco não é enfrentado cedo, ele cresce.
No fim, a decisão é humana. A responsabilidade também.
IA ajuda. Questiona. Acelera.
Mas tudo começa com as perguntas certas, na ordem certa.
Valor.
Expectativa real.
Custo e risco no tempo.
Nessa ordem.
O resto é desenho bonito.