Tirei uma foto do meu filho jogando futebol. Ele estava na quadra da escola, e havia aquela “telinha” de proteção entre mim, na arquibancada, e ele, lá embaixo. Nada grave, mas o suficiente para estragar a imagem.
Pedi ao Nano Banana, uma ferramenta de IA que faz edições automáticas de imagem, que removesse a telinha. Ele removeu. Pronto. Foto limpa. Na hora pensei que os editores profissionais deveriam estar preocupados. Mas, refletindo melhor, percebi que a conclusão era apressada.
Eu jamais contrataria um profissional apenas para tirar uma telinha de uma foto casual. Portanto, nesse caso, ninguém perdeu trabalho. A ferramenta não substituiu um serviço existente. Apenas viabilizou algo que eu não faria de outra forma.
É verdade que hoje mais gente consegue editar imagens e produzir resultados que antes exigiam técnica específica. Mas esse novo público não é, necessariamente, o mesmo que contratava serviços profissionais. Quem já pagava por qualidade, direção criativa e acabamento superior continua precisando disso. Talvez até mais, porque a régua sobe quando o básico se torna comum.
Historicamente, novas tecnologias não eliminam mercados de forma linear. Elas ampliam o acesso, criam novos hábitos e, muitas vezes, expandem a demanda total. Quando mais pessoas passam a se importar com edição de fotos, música, vídeo, arte ou software, cresce também o espaço para quem faz isso com excelência.
Tudo o que vai além do básico continua exigindo repertório, julgamento e experiência. Ferramentas facilitam a execução, mas não substituem critério.
Posso estar errado. Mas me parece que a questão não é substituição pura e simples. É deslocamento de fronteira. O que você acha?