Oseias 6 começa com um discurso bonito: “Vinde, e tornemos.” Há reconhecimento de dor. Há esperança de cura rápida. A linguagem soa correta. Mas o próprio capítulo revela o problema: a fidelidade é como a nuvem da manhã. Aparece cedo. Desaparece logo.
O texto expõe a diferença entre arrependimento reativo e arrependimento estrutural. O reativo nasce da dor e quer que ela cesse. O estrutural nasce da consciência e já não quer mais a causa da dor. Quando a dor diminui, o arrependimento reativo esfria.
Surge então a frase central: “Misericórdia quero, e não sacrifício; conhecimento, mais do que holocaustos.” O problema não era ausência de culto. Era culto usado como substituto de transformação. O rito alivia a sensação de culpa, preserva a autoimagem, cria uma ilusão de controle. Mas não produz consistência.
O retorno verdadeiro é testado no tempo: não pela intensidade do momento, mas pela permanência depois que a dor diminui.