O ano era 1998. Eu tinha 18 anos e vivi um verdadeiro “momento da verdade”.
Muito antes de “transformação digital” virar moda, eu já ajudava — sem saber — a mudar a forma como o Brasil pensa, projeta, vende, produz e entrega móveis. Trabalhei no desenvolvimento de uma ferramenta de design de interiores que, anos depois, se tornaria padrão de mercado, com mais de 90% de participação. Mas, no início, nada foi fácil.
A empresa ainda era pequena, menos de 10 pessoas. Eu era programador. Missão? Performance. Em máquinas de 32 MB ou 64 MB de RAM, com placas de vídeo integradas de qualidade duvidosa (R.I.P. SIS 530).
Estávamos atendendo uma das maiores marcas do Brasil, com centenas de pontos de venda. Mas nosso software não estava maduro. Trazer os produtos dessa indústria para dentro da solução era um desafio enorme. Fazíamos dezenas de adaptações, e muitas coisas não funcionavam. O projeto atrasou, o cliente desconfiou da entrega e congelou nosso pagamento.
No meio disso, havia um treinamento marcado. Missão: ensinar os representantes da empresa a usar nossa ferramenta. Se eles não comprassem a ideia, ninguém compraria. Seria o fim do projeto.
Eu não era a escolha óbvia. Não vendia, não conhecia detalhes do produto. Mas tinha uma vontade enorme de fazer dar certo e confiança plena na minha capacidade de “matar a pau”. Convenci meu chefe: mais do que ensinar, era preciso encantar. Ele apostou em mim.
Lá fui eu: roupa social mal cortada, gravata vermelha e muita vontade. O dia foi um sucesso. Descobri que eu era um “explicador” — e que era bom nisso. De muitas formas, meu trabalho hoje ainda se parece muito com o daquele dia. O cliente se encantou, nosso pagamento foi liberado, e eu ganhei um aprendizado para a vida.
Esse foi meu “momento da verdade”. Quando dar errado simplesmente não é opção. Aprendi a apreciar esses momentos.
E a lição? Às vezes é preciso ousar. Nem sempre você estará preparado. Quase nunca será a escolha unânime. Mas, se acreditar e se provar — testando-se e mostrando que pode —, vai mais longe.