Márcia, minha assistente digital construída sobre o OpenClaw, uma plataforma para criação de agentes com LLM e automações, agora faz algo que eu jamais teria conseguido organizar sozinho.
Ela captura automaticamente as partidas que jogo no Lichess, plataforma online de xadrez, salva tudo no meu Vault pessoal em formato PGN, o padrão universal de registro de partidas, e submete os jogos à análise do Stockfish 16, um dos motores de xadrez mais fortes do mundo. Mas não para aí.
A análise opera em três camadas complementares. Primeiro, um resumo via API do Lichess, a interface que permite acesso estruturado aos dados: resultados, variação de rating, aberturas jogadas, gestão de tempo. Depois, a avaliação posicional do Stockfish lance a lance, identificando blunders, momentos críticos e alternativas superiores. Por fim, a leitura de padrões, cruzando partidas para detectar tendências recorrentes de abertura, comportamento do relógio em bullet e erros que se repetem ao longo do tempo.
Tudo isso entra automaticamente no meu diário do dia seguinte, dentro do briefing matinal. Não preciso pedir. Acordo e as partidas da véspera já estão analisadas, com observações sobre onde errei e onde joguei bem. O PGN completo fica arquivado no Vault. A análise detalhada vai para um arquivo separado. Posso consultar qualquer data, cruzar com o restante do diário e acompanhar a evolução do rating ao longo de semanas ou meses.
Com mais de 16 mil partidas no Lichess, a API permite extrair o histórico inteiro. Posso pedir à Márcia para identificar padrões de meses ou anos: em quais aberturas tenho mais dificuldade, em que faixa de rating perco mais por tempo, se jogo pior de madrugada ou pela manhã.
E o que eu precisei fazer para que tudo isso acontecesse? Pedir. Ela solicitou meu nickname, identificou as integrações necessárias, propôs as dependências técnicas e instalou o Stockfish no servidor sozinha. Criou a estrutura de pastas no Vault, configurou a rotina de captura diária e organizou o fluxo completo, da partida jogada à análise registrada no diário.
Meu xadrez, hoje, provavelmente faria meu “eu adolescente” morrer de vergonha. Já joguei melhor. Uma das minhas metas é retomar a evolução do jogo com mais intencionalidade. A diferença agora é que não dependo apenas de disciplina. Márcia cria o sistema que eu nunca consegui manter. Organiza partidas, consolida análises, detecta padrões e transforma prática dispersa em melhoria estruturada. Todos os dias, sem que eu precise lembrar.