Estou lendo “Sonho de uma noite de verão”, obra onde Shakespeare ensina que o o amor é cego.
No Ato 2, conheço Helena e Demétrio. O ápice do descompasso. Demétrio foge, Helena persegue. Ele fala em ameaça, ela responde com devoção. Não há diálogo real. Há monólogos cruzados, cada um preso à própria obsessão.
Ela nomeia sua humilhação e a aceita. “Sou a tua cachorrinha”, diz, reduzindo-se voluntariamente. Shakespeare não romantiza isso. Ele expõe. O amor, aqui, não eleva; rebaixa. Helena acredita que constância pode forçar reciprocidade. O Ato 2 mostra o erro dessa premissa com uma clareza quase cruel.
Demétrio, por sua vez, não é um vilão complexo. Ele representa o desejo que se legitima pela fuga. Quanto mais Helena se oferece, menos valor ele atribui. O Ato 2 fixa essa assimetria como dado trágico-cômico: amor não é contrato, não responde a mérito, não se deixa convencer.
Mas, como há Helenas e Demétrios no mundo. O amor muitas vezes, de fato, é cego.