Em março de 2025, o Google anunciou a aquisição da Wiz por 32 bilhões de dólares, em dinheiro. A maior compra da história da empresa. Não é movimento tático. É reposicionamento estratégico.
A Wiz foi fundada no início de 2020 por Assaf Rappaport, Ami Luttwak, Yinon Costica e Roy Reznik. O mesmo grupo já tinha fundado a Adallom, vendida para a Microsoft em 2015. Depois da venda, eles lideraram a área de segurança de nuvem dentro do Azure. Viram a máquina por dentro. Aprenderam escala, enterprise, política, produto global.
Saíram. Fundaram de novo.
Em poucos anos, a Wiz chegou a cerca de 350 milhões de dólares de ARR. Reportou presença em aproximadamente 40% das Fortune 100. Crescimento acelerado. Foco claro. Plataforma agentless, multicloud, olhando AWS, Azure, GCP e Kubernetes de forma integrada.
Em 2024, o Google discutiu pagar 23 bilhões. A Wiz recusou. Considerava IPO. Meses depois, fechou por 32 bilhões.
Agora vem a parte que mais me interessa.
Acertar uma vez pode ser sorte. Duas vezes, é competência.
Uma venda bilionária pode ser timing. Mercado aquecido. Comprador estratégico. Narrativa bem construída. Mas repetir o feito, em outro ciclo, com outro produto, em outro contexto competitivo, é padrão.
Founder de segunda vez não começa do zero. Começa do aprendizado. Sabe qual problema vale atacar. Sabe o que enterprise realmente compra. Sabe montar time, captar, vender, negociar saída. Erra menos nas coisas básicas. Foca mais no essencial.
A Wiz não nasceu para experimentar. Nasceu para escalar.
Do lado do Google, há outro tipo de “segunda vez”. O Google Cloud ainda é o terceiro colocado em nuvem pública, atrás de Amazon Web Services e Microsoft Azure. Infraestrutura se constrói com tempo e CAPEX pesado. Mas segurança é camada estratégica. Segurança é conversa de board. Segurança é porta de entrada para contratos grandes.
Ao comprar a Wiz, o Google compra tecnologia, sim. Mas compra também distribuição, reputação e presença dentro de grandes contas. Compra atalho competitivo.
Não é só crescimento. É redução de distância.
Tem algo elegante aqui. De um lado, founders que mostram que o primeiro sucesso não foi acaso. Do outro, uma big tech que decide que não pode esperar o tempo orgânico resolver sua posição no ranking.
Competência, quando comprovada, atrai capital. Capital, quando bem alocado, compra tempo.
E tempo, em mercados concentrados, vale bilhões.