Ezequiel 47 apresenta uma visão de restauração. Um rio brota do templo e cresce progressivamente, sem receber afluentes, até se tornar profundo demais para ser atravessado. Por onde passa, a vida surge. O que era árido floresce. O Mar Morto é curado. Ainda assim, nem tudo é restaurado. Alguns charcos permanecem. A vida flui, mas não se impõe.
A interpretação é direta e exigente. A transformação não acontece no mundo, fora. Ela começa dentro, no templo de Deus. O rio não nasce no entorno, nasce no centro. Deus não força nada. O fluxo existe, mas entrar nele é uma escolha. Enquanto a água é rasa, ainda há controle, cálculo e condução própria. Quando aprofunda, não há mais técnica possível. Apenas confiança em se deixar conduzir pelo rio. Nada é irrecuperável para Deus, mas a restauração acontece onde há abertura ao fluxo. Onde há resistência, permanece esterilidade.
Para mim, que sou cristão, Jesus Cristo se apresentou como sendo esse rio. Em Evangelho de João 7, Ele afirma: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, do seu interior fluirão rios de água viva.” Sua aceitação é progressiva. No início, Ele não impõe. Caminha ao lado, permite controle, respeita o ritmo. Mas a relação avança. E chega o ponto em que a vida já não encontra sentido nem direção fora dEle. Não por perda, mas por plenitude. Não por imposição, mas por entrega.
Da gestão do entorno. Observando o centro. Cuidando das conexões. Revisando a conduta. O rio não é seguido à distância, é vivido por dentro. Vê-se um rio de água viva que restaura todo aquele que decide entrar no fluxo do Rio.
Local: Los Angeles