Ezequiel 41 não organiza Deus. Organiza o homem. O templo não existe para conter a presença divina, pois Deus está em todos os lugares. Ele existe para ensinar posturas. Há espaços para movimentação e há um centro para contenção. Confundir esses níveis conduz à vaidade.
O entorno é lugar de fluxo. Entradas, saídas, respostas, encontros. A vida precisa se mover. Mas o centro não é atravessável. Ele não existe para ser ocupado, explorado ou exibido, mas preservado. A contenção não nega a vida; impede que ela se dissolva.
A identidade nasce da convivência entre movimento e limite. Uma vida entregue apenas ao fluxo perde forma. Uma vida fechada apenas no centro perde sentido. Quando essa tensão se rompe, tudo se torna vaidade, como ensinou Salomão.
Preservar o centro exige discernimento. Nem tudo que se aproxima deve entrar. Nem tudo que entrou merece permanecer. O entorno lida com o mundo. O centro protege o que não pode ser negociado.
Esse centro é o lugar da conexão com Deus. Não porque Ele esteja ausente do restante da vida, mas porque ali a relação não é utilitária. Silêncio, limite e disciplina tornam-se linguagem de relacionamento. Onde o centro é guardado, a identidade permanece. Onde a identidade permanece, o movimento volta a ser caminho.
Local: Cidade do Panamá