É comum pessoas técnicas estranharem e criticarem pessoas de negócios por, aparentemente, nunca darem atenção suficiente ao que dizem. A sensação é que entra por um ouvido e sai pelo outro.
Ao mesmo tempo, é impressionante como gente de Marketing e Vendas consegue atenção quase imediata.
O que está acontecendo aqui?
De forma simples, eles aprenderam a falar a língua do negócio: dinheiro e risco.
Antes de sair criticando essa “dinheirização” da conversa, vale colocar as coisas em termos bem diretos.
Não dá para comparar abacaxi com banana.
Sempre há mais coisas legais para fazer do que tempo e, sobretudo, dinheiro para fazer.
Se os recursos são limitados, priorizar não é opcional.
E o curioso é que, dentro de uma empresa, quase todo mundo sabe o que é importante. Mas quase ninguém sabe o que é prioridade.
Então como priorizar uma ação de TI frente a uma iniciativa de marketing? São coisas diferentes competindo pela mesma atenção e, muitas vezes, pelo mesmo dinheiro.
A saída é simples: traduzir tudo para a mesma base. Impacto financeiro e exposição a risco.
Gente de TI fala em refatoração, em automatização de testes, em CI/CD, em pen test. Mas raramente traduz isso em termos práticos.
Quanto dinheiro isso preserva? Quanto dinheiro isso destrava? Que risco concreto isso mitiga?
De um lado, uma melhoria técnica. Do outro, uma campanha que promete gerar receita nas próximas semanas.
Não é que a ideia técnica seja ruim. Ela só está mal apresentada.
Se você não coloca sua proposta na mesma régua, ela perde. Se não vira dinheiro ou não reduz risco, vira custo.
Eu falo isso há muito tempo para meus mentorados.
Arquitetura não é sobre diagrama bonito. É sobre impacto real no negócio.
Essa é, sinceramente, uma das diferenças da Eximia. A gente não forma arquiteto para impressionar arquiteto. Forma para influenciar decisão.
Não para abandonar a técnica, mas para conectá-la ao que sustenta a empresa.
No fim, priorizar não é escolher o que fazer. É escolher o que não será feito.
Toda decisão carrega uma renúncia. E alguém vai pagar essa conta.
É disso que trata custo de oportunidade.
Fica a provocação.
Enquanto você não falar a língua de dinheiro e risco, vai continuar tendo razão técnica e perdendo decisão.