Daniel 5 descreve a última noite da Babilônia. A cidade estava cercada pelos medos e persas, mas dentro do palácio Belsazar promove um grande banquete. Enquanto o perigo se aproxima do lado de fora, a festa acontece do lado de dentro.
Belsazar era sucessor de Nabucodonosor, o rei que havia sido humilhado até reconhecer que seu poder não era absoluto. Essa história era conhecida.
No auge da celebração, ele manda trazer os utensílios de ouro e prata retirados do templo de Jerusalém. Taças consagradas são usadas para brindar aos deuses da Babilônia. O que era santo vira instrumento de exaltação.
Uma mão escreve na parede. Seus sábios não conseguem ler. Daniel interpreta: “Mene, Mene, Tequel, Parsim”. Os dias do reino foram contados. O rei foi pesado e achado em falta. O reino seria entregue aos medos e persas. Naquela mesma noite, a Babilônia cai.
A escrita não inaugura o juízo. Expõe. O reino já estava sendo contado enquanto o rei festejava.
O pecado não foi ignorância. Belsazar conhecia o testemunho do seu predecessor. Foi profanação deliberada. Rebeldia consciente contra aquilo que sabia ser maior.
A festa era ostentação e negação. Confiar nas muralhas. Viver como se sempre houvesse mais tempo.
A própria vida é utensílio. O corpo. O tempo. A consciência. Profanar é usar o dom como se fosse propriedade.
Nabucodonosor foi corrigido e voltou. Belsazar foi exposto e caiu.
Tudo está sendo contado. Tudo está sendo pesado.
Que eu não viva como se o tempo não estivesse sendo contado. Que eu não seja exposto por aquilo que já sabia.