Daniel 4 é o relato público de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Ele conta um sonho: uma árvore grande e forte, que sustentava muitos, é cortada por ordem do céu. Daniel interpreta que a árvore é o próprio rei. Seu poder é real, mas não é absoluto. Ele seria afastado do trono até reconhecer que o domínio humano é limitado.
Um ano depois, ao olhar para a cidade e atribuir a si mesmo sua grandeza, a palavra se cumpre. Ele perde a sanidade, sai do centro e vive como animal por “sete tempos”. Seu domínio era concedido. O que é concedido pode ser retirado.
O problema não foi sucesso. Foi posição. Participou da construção. Passou a se ver como origem.
Quem se coloca como absoluto deixa de enxergar o real. A humilhação não é vingança. É correção. É o retorno ao lugar certo.
O sinal é o apego à centralidade. O medo de perder protagonismo. A lucidez volta quando isso cai.
No fim, ele reconhece que sua autoridade é temporária e derivada. Continua rei, mas já não se vê como causa.
O que aprendo é claro: nada do que administro me pertence em última instância.
Não sou causa. Sou meio.
Que eu nunca esqueça que sou apenas mordomo.