Daniel 12 descreve um tempo de angústia extrema, mas não como um evento isolado. O livro inteiro mostra que esse padrão se repete ao longo da história. Impérios se levantam, oprimem, caem. O sofrimento volta. A crise reaparece. O capítulo não nega esse ciclo. Ele o reconhece como parte da experiência humana.
Mas, justamente nesse ponto, surge a ressurreição. Não como detalhe periférico, mas como resposta definitiva. Ela não estende o sofrimento ao infinito; ela projeta a esperança para além da morte. A injustiça pode vencer no curto prazo, mas não define o desfecho. O horizonte se expande. E quando o horizonte cresce, o peso absoluto do presente diminui.
As escolhas feitas agora ganham densidade quando vistas à luz da eternidade. Não são apenas decisões imediatas. Elas revelam pertencimento, direção, alinhamento. O presente importa. Mas ele é maximizado quando projetado no eterno. O que parece pequeno hoje adquire proporção diferente quando atravessa o tempo.
Os sábios que “brilham como estrelas” não são celebridades espirituais. São referências. Como estrelas que orientam viajantes na noite, tornam-se norte em meio ao caos. O brilho não é autopromoção, é direção. Em tempos de desorientação, a sabedoria permanece como ponto fixo.
Os períodos simbólicos reforçam que o mal tem prazo. Pode parecer dominante, pode parecer avassalador, mas não é infinito. O sofrimento importa para o eu de agora, mas perde poder quando visto do ponto de vista do eu do futuro. Quanto maior o horizonte, menor o domínio da dor.
E o livro termina sem ansiedade, sem obsessão por datas. Há promessa. Daniel não recebe um calendário detalhado, recebe descanso e herança. A mensagem final não é especular, é confiar. Confiança em Deus agora, como sustentação. Confiança em Deus depois, como desfecho definitivo. Perseverança com horizonte eterno.