A história era boa demais pra não viralizar: a Builder.ai, suposta startup de IA, teria na verdade setecentos engenheiros indianos fingindo ser algoritmo.
Mas era mentira.
Quem desmontou a farsa foi o The Pragmatic Engineer.
Fez o básico: ouviu quem trabalhou na empresa.
E o que encontrou foi o óbvio — sim, a Builder.ai usava IA.
Os tais setecentos engenheiros existiam, mas não estavam fingindo nada. Eram parte da operação, não o motor do produto.
Além disso, o site propôs um experimento simples:
O que aconteceria se, de fato, houvessem setecentas pessoas simulando respostas de IA?
O resultado seria risível.
E, segundo o próprio texto, logisticamente insustentável.
Nada disso impediu que a história se espalhasse.
Nem que gente séria, com diploma e espaço na mídia, a replicasse sem checar.
O curioso — ou sintomático — é que muitos dos que espalharam a desinformação são os mesmos que se dizem “céticos” em relação à inteligência artificial.
Mas não é ceticismo.
É medo disfarçado de ironia.
Rancor travestido de prudência.
Se o ser humano não é capaz de fazer o exercício lógico mais básico antes de opinar, talvez a IA não seja a ameaça.
Talvez seja alternativa.
Não porque pense melhor.
Mas porque, pelo menos, tentaria.
Tem gente que nem isso.