Arquitetura de agentes pega emprestado muito do que já sabemos sobre arquitetura de software.
Márcia, minha agente no OpenClaw, é o que eu poderia chamar de uma “agente monolítica”. Ela faz tudo. E, a cada semana, passa a fazer mais coisas. Como todo software monolítico, começa a ficar difícil de manter por causa do acoplamento.
De repente, coisas param de funcionar. Definições ficam sobrepostas e até conflituosas. Tarefas que ela executava bem até um segundo atrás começam a ter comportamento errático, coitada. Tudo está em um único workspace. Da rotina da minha saúde, com sensores de diabetes, Oura e controle de água, até a gestão da minha empresa, com CRM e controle de horas dos consultores.
Uma vez por semana eu tento colocar a casa em ordem. Mas percebi que o problema não é só bagunça, é organização. Organizar é definir lugar para as coisas. E o “lugar certo” já não está mais claro. A escala destrói sonhos.
O que vou fazer? Transformar a Márcia em um time.
Hoje alguns agentes já existem, mas compartilham o mesmo workspace. Pensa em um bocado de gente trabalhando na mesma mesa.
Como vou mudar isso? Estrangulamento, claro. Vou pegar partes da Márcia, criar agentes separados e substituir essas funções nela. Parte por parte.
Mas surge outra pergunta: como decidir onde cortar? Vou usar volatilidade, como ensina Righting Software. Separar aquilo que muda por motivos diferentes. O que evolui junto fica junto. O que muda por razões diferentes deve viver separado.
Mas não é só a operação que precisa mudar. A gestão dos dados também. A Márcia não precisa saber tudo sobre tudo. A base dela também não pode ser monolítica. Cada agente deve ter acesso apenas ao contexto de que realmente precisa, no workspace certo, com os dados certos. Porque agente demais em cima do mesmo espaço continua sendo monólito. Só que distribuído.
No lugar de fazer tudo, Márcia passa a coordenar. Vai conversar com agentes menores, com propósitos bem definidos e ambientes próprios.
A ideia é localizar mudanças e reduzir efeitos colaterais.
No fundo, arquitetura de agentes continua sendo arquitetura de software. Só estamos aplicando os mesmos princípios em um novo tipo de sistema.