Todo mundo está usando IA. Você não? Aqui vai um guia para começar do jeito certo. Adaptei de um framework do Ali Abdaal cinco fases que ajudam a transformar curiosidade em fluência real.
Fase 1. Hábito. Troque o Google pela IA sempre que possível. Claude, ChatGPT, Gemini. Tanto faz. O ponto não é a ferramenta, é o reflexo. Aba fixa no navegador. App no celular. Voz em vez de teclado. Grave reuniões e transcreva automaticamente. Nesta fase, o objetivo não é produtividade. É frequência. Hábito precede competência. Sem convivência diária, não há fluência.
Fase 2. IA como coach. Antes de delegar trabalho, use a IA para pensar melhor. Em vez de pedir uma solução definitiva, peça opções. Peça alternativas. Peça contrapontos. Pergunte sobre seus objetivos, suas alavancas, seus pontos cegos. Use transcrições para identificar padrões, tensões e oportunidades. Ao revisar um texto, peça sugestões de melhoria, não que a IA escreva por você. Use-a para tensionar argumentos, apontar lacunas, sugerir caminhos. Julgamento precede delegação. A IA amplia sua análise. A decisão continua sendo sua.
Fase 3. IA como executor. Agora sim, peça entrega. Use a regra 10-80-10. Você define os 10% iniciais com contexto claro, direção e exemplos. A IA desenvolve 80%. Você assume os 10% finais, refinando e ajustando. A habilidade central aqui não é prompting sofisticado. É gosto. Execução sem critério gera mediocridade em escala. Com critério, você conduz a IA como conduz um júnior talentoso.
Fase 4. IA como sistema. O próximo salto é sair do prompt isolado e construir estrutura. Crie uma biblioteca. Itere até alcançar qualidade consistente. Experimente modelos diferentes para tarefas diferentes. Mas o verdadeiro avanço não está em um prompt melhor. Está em contexto persistente. Documente quem você é, como pensa e o que valoriza. Dê memória à IA. Contexto é multiplicador de capacidade. A inteligência percebida é função direta da arquitetura que sustenta o uso.
Fase 5. IA como infraestrutura. Automatize o repetitivo. Comece com recursos nativos dos próprios aplicativos. Evolua para fluxos com Zapier ou Make. Use n8n quando precisar de mais controle. Ainda assim, o nível que muda o jogo é outro: um agente pessoal com contexto contínuo. Não uma automação que dispara e encerra, mas um assistente que conhece sua agenda, seus arquivos, seu histórico e suas preferências. Que orquestra subagentes, gerencia memória e melhora a cada interação. Plataformas como OpenClaw permitem construir esse tipo de agente hoje, com memória estruturada e orquestração de múltiplos modelos. Arquitetura redefine escala pessoal.
Alguém na Fase 1 consulta a IA quando lembra. Alguém na Fase 5 opera com ela como parte do próprio sistema cognitivo. O padrão é claro. Começa com hábito. Passa por julgamento. Termina em arquitetura. Fluência em IA não é saber perguntar. É saber estruturar.