10/01/2026

Há um momento em Hamlet em que a filosofia sai do palácio e vai parar no chão.

É a cena do coveiro. O único personagem que enfrenta o príncipe sem reverência. Brinca. Provoca. Ri. Enquanto cava.

Hamlet pega um crânio nas mãos. Talvez tenha sido um grande advogado. Onde foram parar seus sofismas, contratos, manobras? Agora um sujeito qualquer pode quebrar-lhe a cabeça com a pá e ele não pode processar ninguém por lesão corporal.

Outro crânio poderia ser de um grande proprietário. Escrituras, hipotecas, posses. Tudo resolvido no mesmo termo final. Uma caveira. A morte como retomada universal de todas as propriedades.

O que exatamente sobra quando tudo o que acumulamos cabe numa mão?

Aqui, Shakespeare encosta Hamlet numa tradição antiga. A vanitas. Vaidade das vaidades. Tudo passa. Tudo murcha. Tudo termina.

A morte não discute currículo. Não respeita status. Não se impressiona com títulos. Ela iguala o príncipe e o coveiro, o belo e o feio, o poderoso e o anônimo. Todos voltam ao mesmo chão.

A vaidade moderna tenta esquecer isso. Cosmética, culto ao corpo, obsessão com aparência. Como se hidratar bem suspendesse o destino. No máximo, produz um cadáver bem cuidado. A verdade permanece intacta.

A cena não é mórbida. É pedagógica. Ela pergunta, sem aliviar: de que serve viver apenas para acumular símbolos que não atravessam a morte?

Hamlet não oferece consolo fácil. Ele oferece lucidez. A consciência da finitude desmonta muita coisa que chamamos de sucesso. E isso dói. Porque expõe o quanto investimos energia em projetos que não sobrevivem nem a uma pá de terra.

Talvez a única pergunta que reste não seja como vencer a morte, mas como viver sabendo que ela virá.

O resto é vaidade.

10/01/2026

Há uma frase em Hamlet que atravessa séculos: “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.

Ela não é dita por Hamlet, mas por um sentinela, ainda no Ato I, logo após a aparição do fantasma do antigo rei. Antes de provas. Antes de escândalos. Antes de qualquer explicação. O mal é percebido antes de ser compreendido.

Não é um comentário moral. É um diagnóstico estrutural.

Algo já está errado no ar. A ordem foi violada. O poder não repousa mais sobre algo íntegro. A podridão antecede os eventos. Ela vem antes dos culpados.

Hamlet não desconfia apenas do tio. Nem apenas da mãe. Nem apenas de Polônio. Ele percebe que o ambiente inteiro está contaminado. Relações, cargos, afetos e lealdades já nascem comprometidos. Quando tudo cheira mal, onde apoiar o pé?

O erro recorrente é tratar a podridão como episódio. Um governante. Um partido. Um escândalo isolado. A peça aponta algo mais desconfortável. O problema não está concentrado. Está distribuído. Infiltrado. Normalizado.

A corrupção começa no leito do poder, mas não termina nele. Ela escorre pelas pequenas concessões. Pelo jeitinho aceito. Pela regra burlada sem culpa. Pela vantagem mínima que parece inofensiva. Até o dia em que nos indignamos com o topo, esquecendo que o fundo sustenta.

A leitura hamletiana é amarga porque retira o conforto da terceirização moral. Não são apenas “eles”. Somos parte do reino. Respiramos o mesmo ar. Reproduzimos, em escala menor, a lógica que condenamos em escala maior.

Seria mais confortável acreditar que basta trocar o rei para salvar o reino. Mas a peça avisa cedo. Quando a podridão é estrutural, trocar personagens não resolve a encenação.

A consciência disso não traz alívio. Traz peso. E responsabilidade.

O resto é teatro.

10/01/2026

No célebre monólogo de Hamlet, uma frase se destaca: “A consciência nos torna covardes”.

Concordo. Porque sei o quanto custa saber demais.

Quanto mais consciência, menos salto.

Não no sentido moral. No sentido humano. Quanto mais entendemos o mundo, seus riscos e armadilhas, mais cautelosos ficamos. A coragem perde espontaneidade. O impulso passa a exigir justificativa.

A criança pula na piscina. O adulto testa a água. Não porque o adulto seja pior, mas porque ele sabe. Já escorregou, já se machucou, já pagou a conta. A consciência amplia o mapa do risco. E mapas grandes intimidam.

A consciência faz o velho sair com guarda-chuva. Só velho faz isso. Ter papel higiênico no porta-luvas do carro. Remédio “para o caso de”. Essas coisas. Tudo perfeitamente razoável. Tudo perfeitamente paralisante, se levado longe demais.

Planejar demais vira um jeito elegante de adiar. O Excel, o plano B, o “vai que”. Tudo faz sentido. Até o dia em que percebemos que a vida está inteira protegida e pouco vivida.

A lucidez cobra pedágio. Quem vê longe demais começa a andar devagar. Quem enxerga todas as consequências perde o direito à leveza. A ignorância, nesse sentido, é mesmo uma bênção. Não porque seja boa, mas porque permite agir.

Hamlet não defende a inconsciência. Ele denuncia a paralisia. Viver exige aceitar não saber tudo. Quem espera segurança absoluta não age. Quem exige garantia total nunca salta.

Às vezes, não é falta de coragem. É excesso de consciência.

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