João, capítulo 11, sempre me leva a duas reflexões.
A primeira é que a gente não deveria tomar decisões importantes quando nossa visão está completamente tomada pelo ressentimento, pela dor ou pela frustração. Nesses momentos, as emoções falam mais alto do que a razão.
É nesse capítulo que encontramos o episódio do reavivamento de Lázaro, um relato exclusivo do Evangelho de João. Jesus permite que Lázaro morra e chega à casa da família apenas quatro dias depois. Maria apenas chora. Marta questiona: “Se o Senhor estivesse aqui, meu irmão não teria morrido.” As duas reagem de maneiras diferentes, mas ambas passam a enxergar a realidade através da dor.
E esse é justamente o ponto. A dor estreita a nossa visão. Ela reduz nossa capacidade de interpretar os acontecimentos e nos leva a conclusões precipitadas. Por isso, nunca tome decisões definitivas quando sua visão estiver comprometida pela dor, pela frustração ou pelo medo. Primeiro recupere a clareza. Depois decida.
A segunda reflexão vem do menor versículo da Bíblia e, talvez, de um dos mais carregados de significado: “Jesus chorou.”
Jesus chorou diante da morte de Lázaro, mesmo sabendo que, instantes depois, o reavivaria. Chorou pela dor daquela família. Talvez também porque soubesse que aquele sinal marcaria o início da caminhada definitiva até a cruz. João não explica completamente o motivo das lágrimas. Talvez justamente por isso elas digam tanto.
Depois daquele sinal, o Sinédrio decidiu que Jesus precisava morrer. O reavivamento de Lázaro marcou, ao mesmo tempo, o início da caminhada definitiva de Cristo até a cruz.
No fim, as duas reflexões se encontram. Marta e Maria olharam para a morte e deixaram de enxergar a vida. Cristo olhou para a própria morte e continuou enxergando seu propósito.
A dor estreitou a visão delas. Nem mesmo a cruz estreitou a visão de Cristo.