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13/05/2026

Mateus 15 cria um contraste muito forte entre religiosidade e reconhecimento verdadeiro de Deus. O capítulo começa com os fariseus discutindo tradição, pureza ritual e costumes religiosos. Estavam preocupados com lavar as mãos, seguir práticas externas e preservar estruturas construídas ao longo do tempo. E então Jesus responde dizendo algo profundamente desconfortável: o homem não é contaminado pelo que entra nele, mas pelo que sai do coração.

Pouco depois, aparece a mulher cananeia.

E talvez o contraste seja proposital.

Ela não tinha posição religiosa, não fazia parte do povo judeu, não possuía autoridade espiritual e provavelmente nem compreenderia todas as implicações teológicas sobre o Messias. Mas tinha necessidade. E talvez justamente por isso se aproximasse sem as amarras que impediam outros de enxergar Cristo.

A cena é forte porque tudo ali parecia apontar para rejeição. Ela era gentia, mulher e insistia publicamente atrás de um mestre judeu. A resposta inicial de Jesus soa dura. Mesmo assim, ela continua.

E talvez continue porque não está preocupada em defender orgulho, posição ou merecimento. Apenas percebe que Cristo é suficiente. Mesmo as migalhas.

Isso torna a fala dela uma das mais bonitas do evangelho. Existe humildade, desespero, percepção e confiança misturados ao mesmo tempo. Ela não exige direitos. Não tenta provar valor. Apenas permanece diante de Cristo porque sabe que não encontrará em outro lugar aquilo que precisa.

E talvez seja exatamente isso que Mateus 15 esteja mostrando. Muitas vezes, a necessidade aproxima mais de Deus do que a religiosidade. Porque a necessidade quebra a ilusão de autossuficiência. O homem deixa de proteger imagem, tradição e orgulho, e passa apenas a buscar socorro.

Enquanto isso, os fariseus seguem discutindo regras diante do próprio Cristo sem conseguir reconhecê-lo plenamente.

Talvez porque poucas coisas ceguem mais o homem do que a sensação de já possuir todas as respostas.

12/05/2026

Mateus 14 talvez seja um dos capítulos mais bonitos do evangelho porque parece mostrar a percepção dos discípulos mudando diante de Cristo. Eles já tinham visto milagres antes. Já tinham visto curas, libertações, a multiplicação dos pães e até tempestades sendo acalmadas. Mas, ao final da cena sobre as águas, acontece algo diferente: eles o adoram.

E talvez isso aconteça porque, naquele momento, deixam de olhar apenas para aquilo que Jesus fazia e começam a perceber quem estava diante deles.

No imaginário judaico, o mar carregava um simbolismo forte. Representava caos, ameaça e forças que pertenciam somente ao domínio de Deus. Então Cristo caminhando sobre as águas não parece apenas demonstração de poder. Parece revelação de autoridade divina.

E existe um detalhe muito forte na cena. Quando os discípulos se assustam, Jesus responde: “Sou eu; não temais”. No texto grego, a expressão usada é “ego eimi”, literalmente “EU SOU”. É impossível não lembrar da forma como Deus se revela no Antigo Testamento. Em meio ao caos do mar, ao medo e à incapacidade dos discípulos compreenderem plenamente o que estavam vendo, Cristo se apresenta usando justamente uma expressão profundamente associada à identidade divina.

Talvez por isso a reação dos discípulos mude tanto.

E Pedro torna a cena ainda mais humana.

Enquanto mantém os olhos em Cristo, ele participa do impossível. Caminha sobre aquilo que deveria afundá-lo. Mas, quando volta a atenção para o vento e para o mar, começa a afundar. Não porque o vento tenha se tornado mais forte, mas porque seu olhar muda de direção.

Isso parece acontecer várias vezes em Mateus. João Batista preso e tendo sua atenção capturada pelo peso do mundo. O solo sendo sufocado pelos espinhos das preocupações. Os fariseus incapazes de reconhecer aquilo que estava diante deles. O evangelho parece mostrar continuamente uma disputa pelo olhar do homem.

E talvez seja por isso que a fé, em Mateus, pareça menos uma questão de capacidade intelectual e mais uma questão de orientação do olhar. O problema não é simplesmente pensar errado. É deixar que o medo, o peso do mundo e as circunstâncias ocupem novamente o centro.

Mas existe algo muito bonito na cena de Pedro afundando: Cristo imediatamente estende a mão.

Pedro afunda, mas não é abandonado. Existe socorro. Existe graça. Existe resposta imediata de Deus diante da fragilidade humana. Ao mesmo tempo, Pedro precisa agarrar o braço de Cristo. A mão é estendida, mas ele precisa responder a ela.

Talvez seja exatamente isso que torna a cena tão humana. O homem constantemente perde o foco. Constantemente volta a olhar para o vento e para o mar. E ainda assim Cristo continua estendendo a mão.

11/05/2026

Eu terminei Alice no País das Maravilhas com a sensação de que o livro fala menos sobre fantasia e mais sobre o desconforto de existir em um mundo que muda o tempo inteiro.

Quando a história começa, Alice ainda acredita que existe uma lógica estável nas coisas. Existe um jeito certo, uma resposta correta, uma ordem previsível. Mas, conforme ela avança, percebe que quase nada permanece fixo. O tamanho muda. As regras mudam. As conversas mudam de direção. O sentido escapa.

E talvez a parte mais interessante seja que o problema não está apenas no mundo ao redor dela. Em determinado momento, ela percebe que também mudou. A frase “I am not myself” talvez seja o centro do livro inteiro. Alice percebe que não consegue mais explicar quem é porque já não se sente exatamente a mesma.

Isso é profundamente humano.

A gente cresce acreditando que maturidade significa encontrar estabilidade. Mas a vida parece muito mais próxima de Wonderland do que gostaríamos de admitir. Relações mudam. Convicções mudam. O contexto muda. Até a percepção que temos de nós mesmos muda.

O curioso é que o livro não trata isso como tragédia. Trata quase como condição inevitável da existência.

O Chapeleiro vive preso num tempo quebrado. A Rainha governa através do exagero e do medo. O julgamento acontece antes da sentença. O jogo possui regras que ninguém entende completamente. E, olhando de fora, tudo parece absurdo.

Mas olhando com honestidade… quanto do nosso próprio mundo também não funciona assim?

Talvez por isso o livro continue tão atual. Ele desmonta a ilusão de que os adultos vivem num mundo plenamente racional. Em Wonderland, autoridade frequentemente é performática, linguagem frequentemente falha e pessoas frequentemente falam sem realmente se ouvir.

E ainda assim a vida continua acontecendo.

O Gato de Cheshire talvez seja o personagem que melhor entendeu isso tudo. Quando ele diz que todos ali são loucos, não parece um insulto. Parece apenas uma constatação humilde sobre a condição humana.

No final, Alice atravessa o caos sem nunca receber um grande manual explicando como o mundo funciona. E talvez seja exatamente esse o ponto. Crescer não é finalmente compreender tudo. Crescer talvez seja aprender a caminhar mesmo quando nem todas as regras fazem sentido.

Porque, para quem não decide onde quer chegar, qualquer caminho serve.

E talvez Wonderland seja justamente isso: um mundo onde Alice descobre que encontrar direção importa mais do que encontrar controle.

Curso Reputação e Marketing Pessoal

Masterclasses

01

Introdução do curso

02

Por que sua “reputação” é importante?

03

Como você se apresenta?

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Como você apresenta suas ideias?

05

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08

Como aumentar (e manter) sua audiência?

09

Gatilhos! Gatilhos!

10

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

11

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria dos Jogos

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Análise SWOT de sua marca pessoal

13

Soterrado por informações? Aprenda a fazer gestão do conhecimento pessoal, do jeito certo

14

Vendo além do óbvio com a Pentad de Burkle

15

Construindo Reputação através de Métricas: A Arte de Alinhar Expectativas com Lag e Lead Measures

16

A Tríade da Liderança: Navegando entre Líder, Liderado e Contexto no Mundo do Marketing Pessoal

17

Análise PESTEL para Marketing Pessoal

18

Canvas de Proposta de Valor para Marca Pessoal

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Método OKR para Objetivos Pessoais

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Análise de Competências de Gallup

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Feedback 360 Graus para Autoavaliação

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Modelo de Cinco Forças de Porter

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Estratégia Blue Ocean para Diferenciação Pessoal

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Análise de Tendências para Previsão de Mercado

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Design Thinking para Inovação Pessoal

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Metodologia Agile para Desenvolvimento Pessoal

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Análise de Redes Sociais para Ampliar Conexões

Lições complementares

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Apresentando-se do Jeito Certo

29

O mercado remunera raridade? Como evidenciar a sua?

30

O que pode estar te impedindo de ter sucesso

Recomendações de Leituras

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Aprendendo a qualificar sua reputação do jeito certo

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Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

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Escrita efetiva para não escritores

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Gatilhos!

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Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

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