12/01/2026

Hera nasce de forma violenta e impessoal. Filha de Cronos e Reia, ela não conhece colo nem infância. Assim que nasce, é engolida pelo próprio pai. Não por ódio, mas por medo. O poder, quando teme o futuro, elimina o que deveria proteger. Hera “vive” anos no ventre de Cronos, suspensa no tempo, invisível, sem história própria. Antes de ser deusa, ela é perda.

Ela retorna ao mundo quando Zeus obriga Cronos a regurgitar os filhos. Hera renasce, mas marcada. Algumas versões dizem que foi criada longe do Olimpo, sob os cuidados de ninfas ou de Oceano e Tétis. Isso importa: Hera cresce fora do centro do poder. Aprende ordem, não domínio. Limite, não desejo. A futura deusa do casamento não nasce do amor, mas da necessidade de estrutura depois do caos.

Zeus se apaixona por ela. Hera resiste. Conhece bem o tipo. Zeus então a engana: transforma-se em um cuco ferido. Hera, movida por compaixão, o acolhe junto ao peito. Zeus retoma a forma e a possui. O casamento vem depois. Não como conto romântico, mas como reparação simbólica. Hera aceita não por ingenuidade, mas porque entende o peso do gesto: o matrimônio como forma de restaurar dignidade, ordem e legitimidade. Ela não é conquistada. Ela é institucionalizada.

Hera se torna a deusa do casamento, não do amor. Amor é instável. Casamento é pacto. Ela representa fidelidade exigida, honra ferida, ciúme, indignação e limite. Sua fúria não é capricho; é reação à quebra constante da ordem que ela encarna. Cada traição de Zeus não é apenas pessoal. É um ataque à estrutura do cosmos. Hera é a guardiã da forma quando o desejo quer governar sozinho.

Ela se associa a Juno porque Roma herda exatamente isso: a ideia de que o casamento não é sentimento, é instituição civil e sagrada. Juno não suaviza Hera; ela a torna mais política. Onde os gregos viam tensão entre desejo e ordem, os romanos viram fundamento do Estado.

O mito de Hera não quer ensinar a amar melhor. Quer ensinar algo mais desconfortável: toda ordem tem custo, e quem sustenta a estrutura raramente é quem mais desfruta dela. Hera é a deusa que segura o mundo enquanto outros brincam de raio. Não é a mais feliz do Olimpo. É a mais necessária.

12/01/2026

Estou lendo A Biblioteca da Meia-Noite. A história acompanha Nora Seed, uma mulher tomada por depressão e arrependimentos, que se vê numa biblioteca estranha onde cada livro representa uma vida que ela poderia ter vivido se tivesse feito escolhas diferentes. Não é um lugar de fantasia otimista. É quase um laboratório existencial, onde ela testa hipóteses sobre si mesma.

Em um desses momentos, após viver uma vida frustrante na Austrália, Nora retorna à biblioteca e conversa com a Sra. Elm, uma espécie de guia. Ali ela aprende algo desconcertante: podemos até escolher opções diferentes, mas nunca escolhemos as consequências. A ideia de que “se eu tivesse feito X, tudo teria dado certo” começa a ruir. Algumas decisões apagam arrependimentos antigos, mas não produzem felicidade. Outras parecem corretas no papel e insuportáveis na prática.

É nesse ponto que surge a metáfora do aquário. Nora lembra de um experimento com peixes deprimidos que ficam no fundo do tanque, sem estímulo, até serem medicados e voltarem a nadar acima de uma linha invisível. Ela se vê assim em todas as vidas. Muda o cenário, muda o papel social, mas o estado interno permanece. O livro sugere algo incômodo: sucesso não é resultado, é estado. Não está no que se conquista, mas na capacidade de reagir, de se mover, de ter estímulo para não afundar.

Isso lança luz sobre o tema do sucesso. A maioria das pessoas não se sente bem-sucedida porque nunca parou para definir o que sucesso significa. Dinheiro, cargo, corpo, espiritualidade, família. Queremos tudo isso ao mesmo tempo, mesmo quando essas definições se anulam entre si. Depois chamamos de fracasso aquilo que é apenas incoerência não assumida.

No fim, muitos arrependimentos se apoiam num “poderia ter sido” que não resiste ao teste da realidade. O livro mostra que, se tivesse sido, não seria como imaginamos. Seria apenas outra vida, com outros custos, outras dores e outras faltas. Talvez o erro não esteja nas escolhas feitas, mas na crença silenciosa de que alguma escolha específica resolveria tudo.

12/01/2026

Comecei a ler “A biblioteca da meia-noite”. Até aqui, parece ser um ensaio sobre a angústia. Cheguei a um capítulo intitulado “O livro dos arrependimentos”.

O tal livro lista arrependimentos fora de ordem cronológica. Dos menores, cotidianos, aos mais pesados. Não há narrativa, apenas acúmulo. E a personagem principal sente isso no corpo. À medida que lê, o peso aumenta. No final, o desafio já não é compreender, mas conseguir fechar o livro. Até a capa está pesada demais.

Leitura. Reflexão. A angústia não nasce de um grande fracasso, mas da soma de pequenas desistências.

O arrependimento não aparece como lição, mas como lista. Uma coleção silenciosa de “poderia ter sido”. Não dói pelo que deu errado, mas pelo que nunca chegou a existir.

Até esse ponto, o texto é honesto e incômodo. Não promete saída nem redenção. Apenas nomeia algo que muitos sentem e poucos articulam: quando se olha apenas para o que não foi feito, com o tempo falta força para lidar com qualquer coisa além. O cansaço não vem da vida. Vem de não conseguir fechar o livro.

Curso Reputação e Marketing Pessoal

Masterclasses

01

Introdução do curso

02

Por que sua “reputação” é importante?

03

Como você se apresenta?

04

Como você apresenta suas ideias?

05

Como usar Storytelling?

06

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

07

Escrita efetiva para não escritores

08

Como aumentar (e manter) sua audiência?

09

Gatilhos! Gatilhos!

10

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

11

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria dos Jogos

12

Análise SWOT de sua marca pessoal

13

Soterrado por informações? Aprenda a fazer gestão do conhecimento pessoal, do jeito certo

14

Vendo além do óbvio com a Pentad de Burkle

15

Construindo Reputação através de Métricas: A Arte de Alinhar Expectativas com Lag e Lead Measures

16

A Tríade da Liderança: Navegando entre Líder, Liderado e Contexto no Mundo do Marketing Pessoal

17

Análise PESTEL para Marketing Pessoal

18

Canvas de Proposta de Valor para Marca Pessoal

19

Método OKR para Objetivos Pessoais

20

Análise de Competências de Gallup

21

Feedback 360 Graus para Autoavaliação

22

Modelo de Cinco Forças de Porter

23

Estratégia Blue Ocean para Diferenciação Pessoal

24

Análise de Tendências para Previsão de Mercado

25

Design Thinking para Inovação Pessoal

26

Metodologia Agile para Desenvolvimento Pessoal

27

Análise de Redes Sociais para Ampliar Conexões

Lições complementares

28

Apresentando-se do Jeito Certo

29

O mercado remunera raridade? Como evidenciar a sua?

30

O que pode estar te impedindo de ter sucesso

Recomendações de Leituras

31

Aprendendo a qualificar sua reputação do jeito certo

32

Quem é você?

33

Qual a sua “IDEIA”?

34

StoryTelling

35

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

36

Escrita efetiva para não escritores

37

Gatilhos!

38

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

39

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria do Jogos

40

Análise SWOT de sua marca pessoal

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