A coisa certa a ser feita precisa ser também a mais simples. Enquanto o caminho correto exigir mais esforço do que o errado, ele não será seguido. Muitas iniciativas de IA falham aí: tentam mudar comportamento sem redesenhar o ambiente.
Se você quer que a empresa use IA, faça com que ela se imponha pelo uso, não pelo discurso. Ela precisa encaixar no fluxo real de trabalho. Entregar licenças de Copilot, ChatGPT ou ferramentas equivalentes raramente resolve. Isso trata IA como ferramenta isolada, quando o que está em jogo é a base sobre a qual o trabalho acontece. Se a IA não estiver embutida nas ferramentas já usadas no dia a dia, ela vira exceção, não hábito.
Não conte com as pessoas aprendendo prompt engineering. Elas não vão. Pelo menos, não agora. Esperar isso é empurrar para o usuário uma responsabilidade que é de projeto. O trabalho certo é outro: os prompts adequados precisam estar pré-definidos, distribuídos e acionáveis por meio de interfaces simples, quase invisíveis. Simplicidade na ponta exige decisão, arquitetura e coordenação nos bastidores.
Adotar IA não é movimento tático nem promessa de ganho rápido. É decisão estrutural. Envolve mexer em dados, sistemas, processos e integração com intenção clara. Sem isso, não há ganho real. O máximo que se consegue é acelerar rotinas mal desenhadas e criar uma sensação passageira de eficiência.
IA só gera valor quando amplifica algo que já funciona bem. Caso contrário, vira apenas mais uma tentativa elegante de fazer o errado rodar mais rápido.