Ninguém está onde está de graça. Nunca.
Às vezes eu olho para alguém e penso como alguém tão bom no que faz pode estar nessa situação. Meu primeiro impulso já foi concluir que faltava oportunidade. Dentro das minhas possibilidades, eu tentava ajudar. Indicava, apresentava, abria portas. Às vezes funcionava, mas era exceção.
Com o tempo, a lente foi ficando mais ajustada. No início, eu facilitava demais, ajudava antes da hora, e quase sempre me arrependia. Nenhuma boa ação fica impune.
Não é que falte talento. O que costuma faltar é a capacidade de sustentar a oportunidade quando ela aparece.
É nesse ponto que surgem os limites. A dificuldade em ouvir, a resistência ao desconforto, a recusa em assumir responsabilidade. Defeitos pequenos, muitas vezes, que não anulam o que há de bom, mas acabam por encobri-lo.
Perceber isso não elimina a disposição de ajudar. Introduz critério.
Bondade sem discernimento não constrói. Desgasta.