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08/05/2026

Mateus 10 é um capítulo duro porque desmonta uma visão muito confortável da fé. Depois de enviar os discípulos, Jesus não promete estabilidade, aceitação ou tranquilidade. Pelo contrário. Prepara aquelas pessoas para conflito, rejeição e sofrimento. E talvez a fala mais desconfortável do capítulo seja justamente quando afirma que não veio trazer paz, mas espada.

À primeira vista, a frase parece contradizer completamente a imagem de Cristo como príncipe da paz. Mas o texto não parece falar sobre violência. A espada aparece muito mais como separação. Não apenas entre pessoas, mas entre formas de viver que deixam de ser compatíveis. Porque algumas mudanças produzem contraste. E contraste qualifica.

O mais interessante é que Jesus não trata essa ruptura como resultado de agressividade dos discípulos. Ela surge simplesmente porque alguém passa a viver de outra maneira. E isso incomoda. Não necessariamente por condenação explícita, mas porque a mudança torna visíveis certas contradições que antes conseguiam permanecer escondidas. A presença do diferente obriga comparação.

Talvez por isso o capítulo misture sofrimento emocional, social e físico o tempo inteiro. Jesus fala sobre perseguição, rejeição familiar, medo, tribunais e violência. Não existe romantização da missão. Em muitos momentos, a impressão é quase oposta da ideia moderna de fé como mecanismo de conforto permanente. Aproximar-se de Deus, no texto, parece aumentar certas tensões, não eliminá-las.

E talvez isso aconteça porque algumas verdades reorganizam tudo ao redor. Prioridades mudam. Valores mudam. O jeito de olhar para o mundo muda. E quando isso acontece, certas relações deixam de se sustentar da mesma forma de antes. A espada de Mateus 10 parece nascer exatamente aí. Não como destruição, mas como divisão inevitável entre modos de viver que já não conseguem caminhar juntos sem conflito.

07/05/2026

Terminei a leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas e fiquei com a sensação de que o livro é muito mais melancólico do que costuma parecer numa primeira leitura. A ironia do Machado faz a narrativa soar leve em vários momentos, quase divertida, mas por baixo existe uma reflexão dura sobre vaidade, ambição, relações humanas e sobre a dificuldade que as pessoas têm de encontrar sentido real naquilo que fazem.

Brás Cubas me parece alguém que passa a vida inteira tentando preencher vazios sem nunca entender exatamente o que procura. Ele busca reconhecimento, status, romances, prestígio intelectual, mas nada realmente se sustenta. Até suas relações mais importantes parecem atravessadas por interesse, conveniência ou orgulho. A relação com Marcela talvez seja o exemplo mais explícito disso, mas o livro inteiro parece sugerir que quase todas as relações humanas carregam algum tipo de troca implícita.

O delírio dele também me chamou atenção. Existe algo muito simbólico naquela sequência em que a vida humana aparece quase como uma sucessão interminável de desejos, frustrações e repetições. O curioso é que Machado escreve tudo isso sem transformar o livro em algo pesado ou moralista. Pelo contrário. Muitas vezes a crítica vem escondida dentro do humor, da quebra da narrativa e da forma debochada como Brás Cubas fala da própria vida.

Outra coisa impressionante é como Machado parece moderno. Em vários momentos, parece que estamos lendo alguém observando a sociedade de hoje. A necessidade de parecer importante, o apego à imagem, as relações sustentadas por conveniência, a dificuldade de construir algo realmente profundo… tudo isso continua atual. Talvez por isso o livro permaneça tão forte mesmo depois de tanto tempo.

No fim, fiquei com a sensação de que o maior talento do Machado não está apenas na história que conta, mas na maneira como obriga o leitor a se observar enquanto lê. A gente começa julgando Brás Cubas, mas em vários momentos percebe um pouco dele em nós mesmos. Talvez seja justamente isso que faça Machado de Assis continuar tão relevante.

07/05/2026

Mateus 9 segue o que começou no capítulo anterior. Depois do Sermão da Montanha, o evangelho muda de ritmo e passa a mostrar Jesus em movimento constante, cercado por multidões, atravessando cidades, entrando em casas, curando pessoas e provocando reações cada vez mais intensas. O texto praticamente não para. Um acontecimento se conecta ao outro, como se Mateus quisesse mostrar não apenas o que Jesus ensinava, mas o impacto concreto de sua presença por onde passava.

O capítulo começa com a cura de um paralítico, mas o ponto central da cena não é exatamente a cura física. Antes de mandar o homem se levantar, Jesus declara que os pecados dele estavam perdoados. Isso provoca indignação nos escribas, porque o texto deixa implícita uma pergunta enorme: quem pode perdoar pecados além de Deus? A cura aparece quase como confirmação visível de uma autoridade que, para os religiosos da época, parecia inaceitável.

É justamente nesse contexto que acontece o chamado de Mateus. E aqui existe uma curiosidade interessante para quem assistiu The Chosen. Na série, Mateus aparece próximo de Jesus ainda durante a preparação do Sermão da Montanha, ajudando inclusive na organização e redação das ideias. Já no texto bíblico, o chamado acontece depois do sermão e depois de vários milagres narrados nos capítulos 8 e 9. Mateus é apresentado ainda sentado na coletoria, trabalhando como publicano, até que Jesus simplesmente diz: “Segue-me”. E ele vai.

Isso torna a cena ainda mais significativa. O autor do evangelho parece inserir a própria história no meio da sequência de curas e conflitos para mostrar o tipo de pessoa que Jesus chamava. Mateus era cobrador de impostos, alguém associado à corrupção e visto como traidor por muitos judeus. Logo depois do chamado, Jesus aparece sentado à mesa com publicanos e pecadores, provocando imediatamente a reação dos fariseus. A resposta de Cristo resume bem o espírito do capítulo: “os sãos não precisam de médico, mas os doentes”.

O restante do capítulo continua acumulando acontecimentos famosos: a mulher com fluxo de sangue, a ressurreição da filha do chefe da sinagoga, a cura de cegos e de um homem mudo endemoninhado. No fim, Mateus descreve Jesus olhando para as multidões com compaixão, como ovelhas sem pastor. Talvez seja essa a grande ideia do capítulo. Jesus não aparece distante das pessoas imperfeitas, problemáticas ou rejeitadas. Pelo contrário. Em Mateus 9, são justamente essas pessoas que mais se aproximam dele.

Curso Reputação e Marketing Pessoal

Masterclasses

01

Introdução do curso

02

Por que sua “reputação” é importante?

03

Como você se apresenta?

04

Como você apresenta suas ideias?

05

Como usar Storytelling?

06

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

07

Escrita efetiva para não escritores

08

Como aumentar (e manter) sua audiência?

09

Gatilhos! Gatilhos!

10

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

11

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria dos Jogos

12

Análise SWOT de sua marca pessoal

13

Soterrado por informações? Aprenda a fazer gestão do conhecimento pessoal, do jeito certo

14

Vendo além do óbvio com a Pentad de Burkle

15

Construindo Reputação através de Métricas: A Arte de Alinhar Expectativas com Lag e Lead Measures

16

A Tríade da Liderança: Navegando entre Líder, Liderado e Contexto no Mundo do Marketing Pessoal

17

Análise PESTEL para Marketing Pessoal

18

Canvas de Proposta de Valor para Marca Pessoal

19

Método OKR para Objetivos Pessoais

20

Análise de Competências de Gallup

21

Feedback 360 Graus para Autoavaliação

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Modelo de Cinco Forças de Porter

23

Estratégia Blue Ocean para Diferenciação Pessoal

24

Análise de Tendências para Previsão de Mercado

25

Design Thinking para Inovação Pessoal

26

Metodologia Agile para Desenvolvimento Pessoal

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Análise de Redes Sociais para Ampliar Conexões

Lições complementares

28

Apresentando-se do Jeito Certo

29

O mercado remunera raridade? Como evidenciar a sua?

30

O que pode estar te impedindo de ter sucesso

Recomendações de Leituras

31

Aprendendo a qualificar sua reputação do jeito certo

32

Quem é você?

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Qual a sua “IDEIA”?

34

StoryTelling

35

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

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Escrita efetiva para não escritores

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Gatilhos!

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Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

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Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria do Jogos

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Análise SWOT de sua marca pessoal

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