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04/06/2026

Marcos 9 começa no alto de uma montanha e termina falando de serviço, renúncia e fidelidade. Não é por acaso. Os discípulos veem a glória de Cristo na Transfiguração. Moisés e Elias aparecem. A voz do Pai confirma: “Este é meu Filho amado; ouçam-no”. A identidade de Jesus é revelada sem ambiguidades. O problema nunca foi quem Jesus era. O problema era entender que tipo de Messias ele havia vindo ser.

Ao descer da montanha, a realidade volta a aparecer. Há um menino sofrendo, um pai desesperado e discípulos incapazes de resolver a situação. É nesse contexto que surge uma das orações mais sinceras das Escrituras: “Eu creio; ajuda-me na minha falta de fé”. Enquanto os discípulos ainda tentam compreender os mistérios do Reino, aquele homem simplesmente reconhece sua necessidade. A fé que Jesus procura não é a da autossuficiência. É a da dependência.

O contraste fica ainda mais forte quando Jesus anuncia sua morte pela segunda vez. Ele fala de entrega. Os discípulos discutem quem é o maior. Ele fala de cruz. Eles pensam em posição. É como se Marcos quisesse mostrar que é possível estar muito perto de Jesus e ainda enxergar o Reino pelos critérios do mundo. Por isso uma criança é colocada no centro da roda. No Reino de Deus, grandeza não se mede por prestígio, mas por humildade e disposição para servir.

Essa mesma lição aparece quando João tenta impedir um homem de expulsar demônios em nome de Jesus porque ele não fazia parte do grupo. A resposta de Cristo desmonta qualquer espírito de exclusividade: “Quem não é contra nós é por nós”. O Reino é maior que os nossos círculos, nossas instituições e nossas preferências. Os discípulos queriam controlar quem podia participar. Jesus os ensina a reconhecer aliados onde eles enxergavam concorrentes.

No fim, Marcos 9 nos confronta com uma pergunta simples e desconfortável: estamos ouvindo Jesus ou apenas admirando Jesus? Os discípulos ficaram maravilhados com a glória da montanha, mas tiveram dificuldade de aceitar o caminho da cruz. Nós corremos o mesmo risco. Gostamos da vitória, do poder e das promessas. Mas Cristo insiste em nos conduzir pela humildade, pelo serviço e pela entrega. A voz do Pai continua ecoando sobre todo o capítulo: “Este é meu Filho amado; ouçam-no”. Principalmente quando ele fala coisas que não gostaríamos de ouvir.

03/06/2026

Marcos 8 é um capítulo sobre visão. Não sobre os olhos, mas sobre a capacidade de compreender quem Jesus realmente é. Ao longo do texto, as multidões veem milagres, os discípulos convivem diariamente com Cristo e, ainda assim, todos parecem enxergar apenas parcialmente. É como se Marcos estivesse nos perguntando: de que adianta olhar, se não entendemos o que está diante de nós?

Essa ideia aparece de forma marcante na cura do cego de Betsaida. É o único milagre registrado nos evangelhos que acontece em etapas. Primeiro o homem vê pessoas como árvores andando. Só depois passa a enxergar claramente. A cura parece simbolizar a própria situação dos discípulos. Eles já começaram a perceber quem Jesus é, mas sua visão ainda está embaçada. Reconhecem o Messias, mas não compreendem sua missão.

É nesse contexto que Pedro faz sua grande confissão: “Tu és o Cristo”. A resposta está correta, mas o entendimento ainda não. Quando Jesus começa a falar sobre sofrimento, rejeição e morte, Pedro o repreende. Ele aceita o Messias, mas rejeita a cruz. Quer a glória sem o sacrifício. Quer o reino sem a entrega. E Jesus responde com dureza porque ali está a tentação de substituir os planos de Deus pelos desejos humanos.

Por isso Jesus pede silêncio sobre sua identidade. O problema não era a falta de informação. Era a falta de compreensão. Um anúncio prematuro produziria apenas mais expectativas equivocadas sobre um libertador político ou militar. Antes de proclamar quem ele era, era preciso entender que tipo de Messias ele havia vindo ser.

O capítulo culmina no chamado mais radical do evangelho até então: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”. A verdadeira fé não consiste apenas em reconhecer Jesus com os lábios. Consiste em reorganizar a própria vida ao redor dele. Marcos 8 nos lembra que a maior cegueira não é não ver Cristo. É vê-lo e ainda insistir que ele deveria seguir os nossos planos. A maturidade espiritual começa quando deixamos de pedir que Deus realize nossa vontade e passamos a desejar participar da dele.

02/06/2026

Marcos 7 é um capítulo sobre fronteiras. Mas não as fronteiras que os homens constroem entre povos, tradições e costumes. Jesus passa o capítulo inteiro derrubando essas barreiras uma a uma. Primeiro, confronta os fariseus por confundirem tradição com mandamento. Eles estavam preocupados com mãos lavadas, utensílios purificados e rituais cuidadosamente observados. Jesus, porém, aponta para um problema mais profundo: a verdadeira impureza não entra pela boca nem vem do contato com o mundo exterior. Ela nasce no coração humano. O problema não está fora de nós. Está dentro.

A partir daí, Marcos constrói uma sequência que parece dispersa, mas que possui uma unidade impressionante. Logo após declarar que a impureza não está relacionada a regras externas, Jesus vai ao encontro de uma mulher siro-fenícia. Ela é estrangeira, gentia e, sob muitos critérios religiosos da época, alguém que estaria fora dos limites da aliança. Ainda assim, é justamente nela que encontramos uma fé admirável. O diálogo parece duro em um primeiro momento, mas conduz a uma revelação: a graça de Deus não está confinada às fronteiras étnicas de Israel. A fé daquela mulher abre espaço para a manifestação do Reino.

Em seguida, Marcos apresenta a cura do surdo que tinha dificuldade para falar. Diferentemente do exorcismo realizado à distância na filha da mulher siro-fenícia, aqui Jesus toca, usa saliva, olha para o céu e pronuncia a palavra “Efatá”, que significa “abre-te”. O contraste é importante. Jesus não está preso a fórmulas. Ele cura à distância quando deseja e toca quando considera necessário. O poder não está no gesto. O gesto existe em função da pessoa. Cristo adapta a forma da cura à necessidade humana, e não o contrário.

Há também um simbolismo profundo nessa cura. O homem não consegue ouvir nem falar adequadamente. Ao restaurar sua audição e sua fala, Jesus não está apenas resolvendo uma limitação física. Marcos sugere uma restauração mais ampla. Ao longo do Evangelho, a dificuldade de ouvir é frequentemente associada à incapacidade de compreender a mensagem de Deus. O homem que passa a ouvir e falar torna-se uma imagem do que Jesus deseja fazer com todos: abrir os ouvidos para a verdade e libertar a boca para testemunhá-la.

Por trás de todos esses episódios existe um único movimento teológico. Jesus redefine quem pode se aproximar de Deus. Não são os que possuem os rituais corretos. Não são os que pertencem ao povo certo. Não são os que aparentam pureza diante dos outros. São aqueles cujo coração está aberto para receber a ação divina. Marcos 7 começa com mãos que parecem impuras e termina com ouvidos que finalmente se abrem. Entre um ponto e outro, Jesus desmonta as falsas barreiras da religião e mostra que a verdadeira transformação acontece de dentro para fora. É o coração que precisa ser purificado. Todo o resto vem depois.

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Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria dos Jogos

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Soterrado por informações? Aprenda a fazer gestão do conhecimento pessoal, do jeito certo

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Vendo além do óbvio com a Pentad de Burkle

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Construindo Reputação através de Métricas: A Arte de Alinhar Expectativas com Lag e Lead Measures

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A Tríade da Liderança: Navegando entre Líder, Liderado e Contexto no Mundo do Marketing Pessoal

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Análise PESTEL para Marketing Pessoal

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Canvas de Proposta de Valor para Marca Pessoal

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Design Thinking para Inovação Pessoal

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Lições complementares

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Apresentando-se do Jeito Certo

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O mercado remunera raridade? Como evidenciar a sua?

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O que pode estar te impedindo de ter sucesso

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Aprendendo a qualificar sua reputação do jeito certo

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