Blog

06/06/2026

Acabei de terminar O Retrato de Dorian Gray e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o quanto ele parece um livro escrito para o nosso tempo. A história foi publicada em 1890, mas poderia ter sido concebida em plena era das redes sociais. A obsessão pela juventude, pela imagem, pela aprovação dos outros e pela construção de uma versão idealizada de si mesmo continua tão presente hoje quanto na Londres vitoriana.

Ao longo da narrativa, Dorian é convencido por Lord Henry de que a vida deve ser vivida como uma busca constante por prazer, beleza e experiências. A ideia parece sedutora. Afinal, quem não gostaria de escapar das consequências, preservar para sempre a própria imagem e viver apenas para satisfazer os próprios desejos? O problema é que toda escolha tem um custo. O que Dorian tenta esconder do mundo não desaparece. Apenas é transferido para outro lugar.

É justamente aí que está a genialidade do romance. O retrato não é apenas um elemento fantástico. Ele funciona como uma metáfora da consciência. Enquanto a aparência externa permanece impecável, a verdade interior vai se tornando cada vez mais difícil de encarar. Dorian consegue enganar os outros por muitos anos. O único que ele não consegue enganar é a si mesmo.

Também é impossível não enxergar algo do próprio Oscar Wilde na obra. Wilde era um defensor da beleza, da arte e da liberdade individual. Mas sua vida acabou marcada pelo choque entre os desejos pessoais e as convenções da sociedade de sua época. Existe uma ironia melancólica nisso tudo: o autor que tanto valorizava a estética escreveu uma das maiores advertências da literatura sobre os perigos de transformar a aparência em valor supremo.

No fim, saí da leitura com a impressão de que o livro não é uma condenação da beleza, do prazer ou da juventude. É uma advertência contra a ilusão de que essas coisas podem substituir caráter, propósito e verdade. Todos nós temos um retrato que ninguém vê. A questão não é se conseguimos esconder suas marcas dos outros. A questão é se conseguimos conviver com aquilo que ele revela quando estamos sozinhos diante dele.

06/06/2026

Marcos 11 mostra Jesus entrando em Jerusalém de forma pública, mas não triunfal no sentido comum. Ele entra como rei, sim, mas montado num jumentinho. É uma cena carregada de sentido. Não é o rei da força, da ostentação ou da imposição. É o rei prometido, humilde, reconhecido pela multidão, mas ainda profundamente incompreendido por ela.

A multidão grita “Hosana”, estende mantos pelo caminho e celebra sua chegada. Só que Marcos logo quebra a expectativa. Jesus entra em Jerusalém, vai ao templo, observa tudo e depois sai para Betânia. Ele não faz discurso. Não toma o poder. Não se aproveita da aclamação popular. Apenas olha. É como se o texto dissesse que antes de julgar, Jesus examina.

No dia seguinte, aparece a cena estranha da figueira. Ela tinha folhas, mas não tinha frutos. E esse detalhe é decisivo. A árvore parecia viva, parecia promissora, parecia pronta. Mas era só aparência. A figueira se torna uma espécie de parábola viva sobre uma religião cheia de sinais externos, mas vazia de resultado real.

Logo depois, Jesus entra no templo e expulsa os vendedores e cambistas. O problema não era simplesmente haver comércio. O templo precisava de animais para os sacrifícios. O problema era que a casa de oração tinha virado lugar de exploração, controle e conveniência religiosa. Pior ainda: isso acontecia no espaço onde os gentios podiam se aproximar de Deus. A religião que deveria abrir caminho estava bloqueando o acesso.

Marcos coloca a figueira e o templo lado a lado de propósito. A figueira tinha folhas, mas não tinha fruto. O templo tinha movimento, ritos, comércio, estrutura e liderança, mas havia perdido sua vocação. Parecia vivo. Parecia sagrado. Parecia funcionando. Mas, aos olhos de Jesus, estava espiritualmente seco.

Depois, quando os discípulos veem a figueira seca, Jesus fala sobre fé, oração e perdão. A fé que move montanhas não é espetáculo religioso. É confiança real em Deus. E essa confiança não combina com um coração endurecido. Por isso, Jesus liga oração e perdão. Não há espiritualidade madura onde a pessoa fala com Deus, mas se recusa a reconciliar o coração.

O capítulo termina com os líderes questionando a autoridade de Jesus. Mas a pergunta deles não é honesta. Eles não querem aprender. Querem encurralar. Jesus responde com outra pergunta e expõe o medo deles. Eles tinham posição, influência e poder institucional. Mas não tinham coragem diante da verdade.

No fundo, Marcos 11 é um confronto entre aparência e fruto. A multidão parece fiel, mas é instável. A figueira parece saudável, mas é estéril. O templo parece ativo, mas está corrompido. Os líderes parecem espirituais, mas estão presos ao próprio poder. Jesus atravessa tudo isso revelando uma coisa simples e dura: Deus não se impressiona com folhas. Ele procura fruto.

05/06/2026

Marcos 10 é um capítulo riquíssimo porque reúne alguns dos ensinamentos mais conhecidos de Jesus, mas também alguns dos mais desafiadores. Algumas curiosidades ajudam a enxergar melhor a profundidade do texto.

O capítulo marca a saída definitiva de Jesus da região da Galileia em direção a Jerusalém. A partir daqui, a narrativa caminha para a cruz. Não é apenas uma coleção de ensinamentos soltos; tudo acontece enquanto Jesus segue para seu destino final.

Quando os fariseus perguntam sobre o divórcio, Jesus responde voltando a Gênesis. Em vez de discutir exceções legais, como faziam as escolas rabínicas da época, ele retorna ao propósito original do casamento. É um movimento típico de Jesus: trocar debates sobre regras por discussões sobre princípios.

A bênção das crianças possui um detalhe cultural importante. Crianças tinham pouco status social no mundo antigo. Quando Jesus as coloca como exemplo para o Reino, ele está invertendo a lógica da sociedade. Não se trata apenas de valorizar a infância, mas de exaltar aqueles que não possuem poder, prestígio ou influência.

O encontro com o jovem rico aparece nos três evangelhos sinóticos. Marcos, porém, registra um detalhe exclusivo: “Jesus, olhando para ele, o amou” (Mc 10:21). Antes da exigência difícil, vem o amor. A confrontação nasce do cuidado, não da condenação.

O jovem afirma ter guardado os mandamentos desde a juventude. Curiosamente, Jesus cita mandamentos ligados ao relacionamento com o próximo, mas não menciona os relacionados diretamente a Deus. O motivo parece claro: a riqueza já ocupava o lugar que deveria pertencer a Deus.

A frase sobre o camelo passar pelo fundo de uma agulha é uma das imagens mais fortes de Jesus. Não existe evidência histórica sólida para a famosa teoria da “porta da agulha” em Jerusalém. A maioria dos estudiosos entende que Jesus está usando uma hipérbole deliberadamente impossível para destacar a dificuldade da riqueza em relação ao Reino.

Quando Pedro diz: “Nós deixamos tudo para te seguir”, Jesus promete cem vezes mais nesta vida. Marcos acrescenta algo que muitos esquecem: “com perseguições”. A recompensa do discipulado nunca foi apresentada como conforto garantido.

Pela terceira vez em Marcos, Jesus anuncia sua morte e ressurreição. E, pela terceira vez, os discípulos demonstram não compreender plenamente o que ele está dizendo. Desta vez, Tiago e João pedem posições de honra. O contraste é impressionante: Jesus fala de cruz; eles pensam em tronos.

A resposta de Jesus a Tiago e João introduz um dos temas centrais do evangelho: grandeza é serviço. Em Marcos, essa ideia aparece repetidamente. O maior não é quem acumula autoridade, mas quem se coloca a serviço dos outros.

O versículo 45 é considerado por muitos estudiosos o coração teológico de Marcos: “Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Muitos enxergam nesse versículo uma espécie de resumo de todo o evangelho.

O capítulo termina com a cura de Bartimeu. Diferentemente de muitas pessoas curadas por Jesus, Bartimeu tem nome. Isso é raro. Alguns estudiosos sugerem que ele pode ter se tornado conhecido na igreja primitiva, motivo pelo qual seu nome foi preservado.

Há ainda uma ironia bonita no final. Durante todo o evangelho, pessoas enxergam milagres e não entendem quem Jesus é. Bartimeu, um cego, é um dos poucos que reconhece Jesus como “Filho de Davi”, um título claramente messiânico. O homem sem visão física demonstra mais visão espiritual do que muitos que enxergavam perfeitamente.

Se eu tivesse de resumir Marcos 10 em uma única frase, seria esta: o Reino de Deus pertence aos que abandonam a lógica do poder, da riqueza e do prestígio para seguir o caminho do serviço, da dependência e da cruz.

Curso Reputação e Marketing Pessoal

Masterclasses

01

Introdução do curso

02

Por que sua “reputação” é importante?

03

Como você se apresenta?

04

Como você apresenta suas ideias?

05

Como usar Storytelling?

06

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

07

Escrita efetiva para não escritores

08

Como aumentar (e manter) sua audiência?

09

Gatilhos! Gatilhos!

10

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

11

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria dos Jogos

12

Análise SWOT de sua marca pessoal

13

Soterrado por informações? Aprenda a fazer gestão do conhecimento pessoal, do jeito certo

14

Vendo além do óbvio com a Pentad de Burkle

15

Construindo Reputação através de Métricas: A Arte de Alinhar Expectativas com Lag e Lead Measures

16

A Tríade da Liderança: Navegando entre Líder, Liderado e Contexto no Mundo do Marketing Pessoal

17

Análise PESTEL para Marketing Pessoal

18

Canvas de Proposta de Valor para Marca Pessoal

19

Método OKR para Objetivos Pessoais

20

Análise de Competências de Gallup

21

Feedback 360 Graus para Autoavaliação

22

Modelo de Cinco Forças de Porter

23

Estratégia Blue Ocean para Diferenciação Pessoal

24

Análise de Tendências para Previsão de Mercado

25

Design Thinking para Inovação Pessoal

26

Metodologia Agile para Desenvolvimento Pessoal

27

Análise de Redes Sociais para Ampliar Conexões

Lições complementares

28

Apresentando-se do Jeito Certo

29

O mercado remunera raridade? Como evidenciar a sua?

30

O que pode estar te impedindo de ter sucesso

Recomendações de Leituras

31

Aprendendo a qualificar sua reputação do jeito certo

32

Quem é você?

33

Qual a sua “IDEIA”?

34

StoryTelling

35

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

36

Escrita efetiva para não escritores

37

Gatilhos!

38

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

39

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria do Jogos

40

Análise SWOT de sua marca pessoal

Inscrição realizada com sucesso!

No dia da masterclass você receberá um e-mail com um link para acompanhar a aula ao vivo. Até lá!

A sua subscrição foi enviada com sucesso!

Aguarde, em breve entraremos em contato com você para lhe fornecer mais informações sobre como participar da mentoria.