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13/07/2026

Há livros que contam uma boa história. Outros nos ensinam alguma coisa. E há aqueles, bem mais raros, que funcionam como um espelho. A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, pertence a essa última categoria.

À primeira vista, trata-se apenas da história de um juiz bem-sucedido que adoece e, aos poucos, se aproxima da morte. Mas Tolstói nunca esteve interessado apenas na morte. O que ele realmente investiga é a vida. Mais precisamente, a possibilidade de alguém passar décadas fazendo tudo o que era esperado e, ainda assim, descobrir no fim que viveu da maneira errada.

Ivan Ilitch não é um homem cruel, corrupto ou perverso. Pelo contrário. É competente, respeitado e socialmente admirado. Constrói uma carreira sólida, forma uma família, conquista estabilidade financeira e aprende a se comportar exatamente como a sociedade espera. Sua tragédia não está no fracasso. Está no sucesso. Ele alcança tudo aquilo que acreditava desejar e, quando já não pode fugir de si mesmo, percebe que talvez nunca tenha escolhido o próprio caminho.

A doença rompe essa ilusão. Aquilo que antes parecia importante perde valor diante da finitude. O prestígio deixa de impressionar. Os rituais sociais tornam-se vazios. As preocupações cotidianas revelam-se pequenas. A morte funciona como um filtro implacável, separando o essencial do acessório.

É justamente aí que o romance deixa de falar sobre Ivan e começa a falar sobre nós. Quantas decisões tomamos porque realmente acreditamos nelas? Quantas foram moldadas pelo desejo de aprovação, pelo medo de desagradar ou simplesmente pela força do hábito? Até que ponto estamos construindo uma vida que faz sentido ou apenas desempenhando um papel que aprendemos a representar?

Tolstói também oferece uma reflexão profunda sobre autenticidade. Ao longo da narrativa, quase todos os personagens insistem em preservar as aparências. A doença de Ivan torna-se um inconveniente, algo que atrapalha compromissos, planos e convenções sociais. Poucos se preocupam verdadeiramente com seu sofrimento. Em contraste, a simplicidade de Gerasim, o jovem criado que cuida de Ivan sem fingimentos, revela uma humanidade que falta aos demais. Enquanto todos escondem a realidade da morte, ele a aceita com serenidade. Sua compaixão nasce justamente dessa honestidade.

O sofrimento de Ivan também possui duas dimensões. Existe a dor física, evidente e crescente. Mas existe uma dor ainda maior: a percepção de que talvez sua vida inteira tenha sido construída sobre prioridades equivocadas. Essa é a verdadeira angústia do livro. Não o medo de morrer, mas a possibilidade de descobrir, tarde demais, que nunca se viveu de fato.

Por isso, A Morte de Ivan Ilitch continua atual mais de um século depois de sua publicação. Em uma época que valoriza produtividade, status e reconhecimento, Tolstói nos lembra que essas conquistas podem coexistir com um profundo vazio existencial. O sucesso não garante significado. A aprovação dos outros não substitui a paz da própria consciência.

Ao terminar o livro, permanece uma pergunta difícil de ignorar: se a consciência da morte tem o poder de reorganizar completamente nossas prioridades, por que esperar até que ela se torne inevitável? Talvez a maior contribuição de Tolstói seja justamente essa. Não nos ensinar a morrer, mas nos desafiar a viver de uma forma que, quando o fim chegar, não precisemos lamentar a vida que deixamos passar.

13/07/2026

Se tem uma coisa que eu aprendi faz tempo é que não dá para discutir com o resultado. Se alguém tem um resultado que eu não tenho, quem sabe alguma coisa que eu não sei ou faz alguma coisa que eu não faço, talvez nem tenha disposição para fazer. Mas não dá para discutir com o resultado.

João, capítulo 9, me trouxe duas reflexões.

A primeira é justamente essa.

Em João 9, Cristo cura um cego de nascença. As pessoas não conseguem aceitar o milagre. Tentam investigar para saber se o homem realmente era cego. Chamam até os pais para testemunhar. Questionam o próprio homem. Mas havia um fato impossível de negar: ele era cego e agora enxergava.

Quando perguntam quem era Cristo, ele responde: “Eu não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo.”

Não dá para discutir com resultados.

Aliás, esse é um tema recorrente no Evangelho de João. Cristo revela quem é por meio dos sinais que realiza. E esse milagre, inclusive, é narrado apenas por João.

Mas o capítulo também traz uma segunda reflexão.

Os apóstolos perguntam a Cristo se a cegueira daquele homem era consequência de um pecado dele ou de seus pais. Na cultura da época, acreditava-se que toda adversidade era consequência de alguma falha. Aliás, muita gente ainda pensa assim.

Cristo ensina outra coisa. A cegueira daquele homem existia para que a grandeza de Deus se tornasse evidente. E foi exatamente isso que aconteceu por meio do milagre narrado por João.

Isso continua atual. Muitas vezes, pensamos que os problemas da nossa vida são consequência das nossas falhas ou das falhas dos nossos pais. Mas nem todo sofrimento é punição. Às vezes, aquilo que hoje parece apenas uma dor se torna o cenário onde algo maior será revelado.

O sofrimento nem sempre revela uma culpa. Às vezes, revela um propósito. A diferença está na forma como aprendemos a enxergar.

João, capítulo 9.

12/07/2026

Durante anos, boa arquitetura era vista como uma questão de elegância técnica. Modularidade, nomes claros, baixo acoplamento: todo mundo concordava que era desejável, mas ninguém conseguia colocar um preço na ausência disso.

Agora consegue.

A IA transformou arquitetura em um problema econômico.

Cada vez que um agente precisa carregar meio repositório para mudar uma linha, isso vira token. E token vira fatura. A dívida de design, que antes cobrava juros em tempo, passou a cobrar em dinheiro, todo mês.

Uma das ideias mais interessantes que ouvi no último retiro da Thoughtworks sobre o futuro do desenvolvimento de software foi esta: o custo em tokens de uma mudança é uma medida indireta da qualidade da arquitetura.

Se a mesma alteração exige menos contexto e menos tokens, provavelmente o sistema é mais fácil de entender e modificar.

Com um porém importante, que faço questão de sustentar no artigo: isso funciona como um alarme de fumaça, não como um certificado. Custo alto para uma mudança pequena denuncia acoplamento e baixa coesão. Custo baixo, sozinho, não prova nada. Dá para reduzir tokens escondendo complexidade em vez de eliminá-la.

Foi justamente essa hipótese que me levou a escrever um artigo sobre o tema.

Nele, discuto como interpretar esse sinal sem cair na armadilha de otimizá-lo, e principalmente o que realmente reduz esse custo de forma estrutural, em vez de apenas escondê-lo.

Sai em breve no Insights da eximia.co.

Enquanto isso, deixo uma pergunta para quem lidera engenharia: Você conhece o custo da sua arquitetura ou apenas o valor da conta da IA?

Curso Reputação e Marketing Pessoal

Masterclasses

01

Introdução do curso

02

Por que sua “reputação” é importante?

03

Como você se apresenta?

04

Como você apresenta suas ideias?

05

Como usar Storytelling?

06

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

07

Escrita efetiva para não escritores

08

Como aumentar (e manter) sua audiência?

09

Gatilhos! Gatilhos!

10

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

11

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria dos Jogos

12

Análise SWOT de sua marca pessoal

13

Soterrado por informações? Aprenda a fazer gestão do conhecimento pessoal, do jeito certo

14

Vendo além do óbvio com a Pentad de Burkle

15

Construindo Reputação através de Métricas: A Arte de Alinhar Expectativas com Lag e Lead Measures

16

A Tríade da Liderança: Navegando entre Líder, Liderado e Contexto no Mundo do Marketing Pessoal

17

Análise PESTEL para Marketing Pessoal

18

Canvas de Proposta de Valor para Marca Pessoal

19

Método OKR para Objetivos Pessoais

20

Análise de Competências de Gallup

21

Feedback 360 Graus para Autoavaliação

22

Modelo de Cinco Forças de Porter

23

Estratégia Blue Ocean para Diferenciação Pessoal

24

Análise de Tendências para Previsão de Mercado

25

Design Thinking para Inovação Pessoal

26

Metodologia Agile para Desenvolvimento Pessoal

27

Análise de Redes Sociais para Ampliar Conexões

Lições complementares

28

Apresentando-se do Jeito Certo

29

O mercado remunera raridade? Como evidenciar a sua?

30

O que pode estar te impedindo de ter sucesso

Recomendações de Leituras

31

Aprendendo a qualificar sua reputação do jeito certo

32

Quem é você?

33

Qual a sua “IDEIA”?

34

StoryTelling

35

Você tem uma dor? Eu tenho o alívio!

36

Escrita efetiva para não escritores

37

Gatilhos!

38

Triple Threat: Domine Produto, Embalagem e Distribuição

39

Estratégias Vencedoras: Desbloqueie o Poder da Teoria do Jogos

40

Análise SWOT de sua marca pessoal

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