Acabei de facilitar mais um encontro de mentoria de Arquitetura de Software com ênfase em IA. O objetivo era claro: mostrar que arquitetura agêntica muda a forma como construímos soluções.
Comecei apresentando o modelo de referência que utilizamos na Eximia.co. Ele organiza o sistema em três blocos: interação, núcleo do agente e recursos. Na interação estão os pontos de contato, usuários, eventos, serviços e outros agentes. No núcleo, objetivo, orquestração, LLMs, ferramentas e memória de curto e longo prazo. Nos recursos, APIs externas, informação acessada via RAG e execução de código. É uma estrutura que orienta o pensamento antes da escolha da tecnologia.
Mostrei então como o OpenClaw é aderente a esse modelo. A plataforma já nasce organizada nesses mesmos blocos. E a Márcia, minha assistente pessoal construída sobre o OpenClaw, é uma materialização prática dessa estrutura.
Abrimos o sistema. WhatsApp e Telegram funcionando como canais de interação. O gateway atuando como orquestrador. Diferentes modelos de LLM sendo coordenados conforme a tarefa. Memória estruturada no vault. Arquivos indexados para busca semântica. Ferramentas externas integradas. Subagentes especializados, skills modulares e cron jobs disparando automações. Tudo convergindo para o mesmo núcleo.
Até aqui, teoria. A partir daqui, execução.
Durante o encontro, descrevemos em linguagem natural um novo componente: um sub-agente de segurança para analisar vulnerabilidades semanalmente, gerar relatório com findings classificados por severidade e sugerir mitigações automatizáveis. A Márcia recebeu a intenção, propôs a implementação, executou testes e integrou ao sistema já em produção.
Em seguida, solicitamos a criação de um script em Python para coleta automatizada de RSS, substituindo um sub-agente que consumia tokens de LLM para uma tarefa mecânica. O custo operacional dessa rotina caiu a zero. A decisão foi arquitetural: usar código determinístico onde não era necessário raciocínio probabilístico.
Sem deploy manual. Sem repositório separado. Sem pipeline adicional. O sistema incorporou novas capacidades enquanto permanecia em execução.
A diferença não está apenas na velocidade. Está na natureza do trabalho. No mundo agêntico, arquitetura deixa de crescer na construção de estruturas rígidas e passa a crescer na definição estática de guidelines e guardrails que sustentam a evolução do modelo, que agora é dinâmica. O desenho estabelece limites, critérios e padrões de interação. Dentro desses contornos, o sistema evolui por conversa, em tempo real.
Quando o primeiro relatório de segurança apareceu na tela ainda durante a mentoria, com findings reais sobre o ambiente em produção, o modelo deixou de ser conceito. Tornou-se evidência.