Eu sou fã do Donald Knuth. Li os livros dele. Aprendi com ele. Ainda aprendo. Se ele fala, eu escuto. Se ele fala sobre IA, eu também escuto.
Knuth é o autor de “The Art of Computer Programming”. Para muita gente, inclusive para mim, é uma das obras mais importantes já escritas sobre computação. Não é livro de moda. É livro de fundamento. Gerações de programadores aprenderam a pensar com ele.
Esses dias ele publicou um pequeno relato contando uma história curiosa. Enquanto escrevia material para um novo volume do TAOCP, ele estava trabalhando em um problema de combinatória. Não era exercício didático. Era problema de pesquisa. Daqueles que parecem simples de enunciar, mas dão trabalho de verdade para resolver.
Ele vinha explorando o espaço de soluções havia semanas. Um colega resolveu pedir ajuda para o Claude, o modelo de IA da Anthropic.
O modelo não respondeu com um chute. Reformulou o problema, escreveu programas para explorar hipóteses, testou caminhos, descartou o que não funcionava e seguiu procurando até encontrar uma construção geral que resolve o caso para todos os valores ímpares do parâmetro.
Isso não é geração de texto. É exploração computacional de um problema matemático.
Knuth abre o texto com algo que diz muito. Ele escreve que talvez precise revisar suas opiniões sobre IA generativa.
Depois ele faz o que matemáticos fazem. Reconstrói a lógica da solução e apresenta uma prova formal de que a construção funciona.
Ou seja, não foi truque. Nem palpite sortudo. Foi exploração sistemática de um problema matemático real.
Mesmo assim, ainda tem gente dizendo que IA só resolve código trivial.