AgentEx. Outro conceito novo que conheci com Martin Fowler.
Ele cita a provocação da Laura Tacho: o diagrama de Venn entre Developer Experience e Agent Experience é um círculo.
Isso reforça algo que digo há tempos. O que precisamos fazer para a IA performar bem é exatamente o que já deveríamos estar fazendo para as pessoas performarem bem.
Tooling claro. Ambiente previsível. Fronteiras explícitas. Bons nomes. Modularidade real.
Boa engenharia. Só isso.
Existe uma fantasia de que o modelo tem um “Galaxy Brain”. Que entende qualquer código caótico. Que reconstrói intenção a partir de fragmentos.
Na verdade, é genial. Mas sempre um gênio com amnésia.
Ele raciocina com profundidade impressionante. Conecta padrões. Propõe soluções sofisticadas. Mas não viveu as decisões. Não conhece o contexto implícito. Não lembra por que algo foi feito daquele jeito. Depende totalmente do ambiente que encontra.
Se o contexto é claro, ele brilha.
Se é confuso, ele improvisa.
LLM não substitui arquitetura. Amplifica o que encontra.
Se a base é desorganizada, acelera o caos.
Se é bem estruturada, acelera a construção.
O que muda agora é a prioridade. Lideranças começam a investir em DevEx porque perceberam que isso melhora a performance da IA. Organizam pipelines. Padronizam interfaces. Tornam dependências explícitas.
Durante anos, isso foi tratado como detalhe operacional.
AgentEx não é pauta de ferramenta. É pauta de gestão.
Não existe Agent Experience sem boa Developer Experience. Se o sistema não é compreensível para uma pessoa, também não será verdadeiramente compreensível para uma máquina.
A IA não elimina a necessidade de clareza. Ela expõe a falta dela.
No fim, talvez o “gênio com amnésia” esteja nos obrigando a fazer o que sempre foi básico.
Arquitetura com intenção. Engenharia legível. Ambiente que favorece julgamento.
Nada futurista.
Só maturidade.