Quanto vale uma boa ideia?
Depende.
Não vale nada se a execução for zero.
Conheço um bocado de gente com ideias brilhantes. Intelectuais, criativos, visionários de mesa de bar. O problema é que essas mesmas pessoas, muitas vezes, não têm disciplina de execução.
Moral da história: elas não têm negócios, nem produtos, nem resultados. Têm manifestos de boas intenções.
Isso aparece nas coisas simples. Na viagem que nunca sai do grupo de WhatsApp. Na leitura adiada para o “mês que vem”. Na ação de marketing que morre no brainstorm. No produto idealizado, quase perfeito, que nunca é lançado. Naquele contato que você sabe que deveria fazer, mas a coragem (ou a prioridade) nunca chega.
Ideia, sozinha, é barata. O mundo está cheio delas. Commodities.
Na minha carreira, e na minha vida, eu nunca fui o cara com as melhores ideias da sala. Nem sempre sou aquele que tira absolutamente tudo do papel. Mas sou obstinado por executar. Tirar da frente. Resolver.
Foi assim com as mentorias. Eram rascunhos, intenções. Poderiam ter ficado numa gaveta esperando o “momento ideal”. Eu lancei. Ajustei com o avião voando. Melhorei a cada turma. Entreguei.
Pessoalmente, isso também foi verdade até com o meu último carro. Eu queria. Era difícil. Gente próxima dizia que não era necessário, que talvez fosse exagero. Em algum momento, a decisão binária aparece: executa ou arquiva?
Decidi executar. Não porque era fácil. Mas porque era coerente com o que eu tinha decidido construir para mim.
Por executar mais, às vezes colho resultados melhores do que a maioria. Não porque penso melhor. Mas porque entrego mais.
Na prática, “executar” é menos dramático do que parece nos filmes. Às vezes é apenas dar um passo ridículo na direção certa. Publicar o post sem reler pela décima vez. Fazer a ligação chata. Enviar a proposta imperfeita. Abrir o documento em branco e escrever a primeira linha.
Nas empresas, a tragédia da não-execução é ainda mais evidente. Quantas iniciativas recebem aplausos na reunião de sexta, ganham slides bonitos, despertam entusiasmo coletivo, mas morrem em silêncio na segunda-feira seguinte?
Planejar estrategicamente é diferencial. Executar estrategicamente é o jogo de gente grande.
Ideia sem ação é intenção. E intenção não constrói nada.
O mundo não recompensa intenções. Recompensa entregas.