Dia de sentir medo, dizem.
Já foi nome de vírus famoso de computador.
No passado, título de série de filmes de terror.
Hoje foi lembrança ao acaso.
Dia de sentir medo, dizem.
Já foi nome de vírus famoso de computador.
No passado, título de série de filmes de terror.
Hoje foi lembrança ao acaso.
A web sempre foi feita para humanos. HTML, CSS, JavaScript. Interface, layout, pixel, experiência visual. Tudo pensado para olhos e dedos.
Agora, ela começa a se ajustar para agentes.
A Cloudflare lançou recentemente o recurso Markdown for Agents. A ideia é simples: se um agente fizer uma requisição com Accept: text/markdown, a página não vem em HTML. Vem em Markdown. Limpa, estruturada, sem ruído. A conversão acontece na borda, sem que o site precise mudar seu código.
Não é sobre formato. É sobre mudança de destinatário.
Durante décadas, o cliente da web foi o navegador. Depois, o usuário. Agora surge um novo ator: o agente de IA. Um agente não precisa de botão animado, não precisa de banner, não precisa de CSS. Ele precisa de estrutura, hierarquia, texto legível e economia de tokens.
Quando a Cloudflare converte HTML para Markdown automaticamente, ela não está apenas oferecendo uma conveniência técnica. Está reconhecendo que a web já não é mais consumida apenas por pessoas. Passamos a ter duas camadas implícitas convivendo no mesmo endereço: uma interface pensada para humanos e outra para sistemas que leem, sintetizam, comparam e decidem.
SEO foi a primeira grande adaptação da web a um intermediário não humano. Agora entramos na era do Agent Engine Optimization. Se agentes passam a consumir conteúdo diretamente, comparar fornecedores, recomendar soluções e até disparar decisões automatizadas, a pergunta muda de foco. Quem você precisa convencer primeiro, o humano ou o agente?
Markdown for Agents é pequeno no detalhe, mas enorme no símbolo. A infraestrutura da internet começa a tratar agentes como cidadãos de primeira classe. E quando a infraestrutura muda, o jogo muda junto.
A pergunta deixa de ser como deixar o site mais bonito. Passa a ser como tornar o conteúdo inteligível para sistemas que decidem. A web começa a se ajustar. Quem entender isso cedo joga outro jogo.
Márcia, minha auxiliar agêntica, agradece. E o meu bolso também.
Arquitetura de software é a arte de fazer as perguntas certas, na hora certa, e garantir que elas sejam respondidas.
Existem três perguntas que definem qualquer sistema. E sim, a ordem importa.
Primeira pergunta: vale a pena construir?
O arquiteto precisa falar com o negócio. Entender o problema. Entender para quem aquilo importa. Tornar explícitas as incertezas. Quais hipóteses precisam ser validadas? O que precisa ser verdade para que isso faça sentido? Antes de escolher tecnologia, escolhe-se o que aprender. IA ajuda a testar mais rápido e reduzir o custo da experimentação. Mas decidir o que merece ser validado é julgamento humano.
Segunda pergunta: o design aguenta o que o negócio espera?
Se vale a pena fazer, precisa sustentar o plano. Quantos usuários? Quanto crescimento? Que tempo de resposta é aceitável? Quanto tempo fora do ar é tolerável? Que nível de segurança é necessário? Aqui eu uso IA como contraponto. Peço para criticar meu design. Para apontar falhas que posso estar ignorando. Para levantar riscos escondidos. Para sugerir alternativas. Ela amplia o campo de visão e acelera cenários. Mas contexto não se terceiriza. Se a solução não sustenta o caso de negócio, a falha é de julgamento.
Terceira pergunta: quanto vai custar e qual o risco de manter isso de pé?
Sistema não vive no lançamento. Vive na mudança. Cada decisão técnica cria custo acumulado e risco estrutural. Manter começa na especificação. Sistema bem especificado, mesmo com IA, tende a ter implementação bem feita. Especificação vaga vira improviso. E improviso vira legado instantâneo. IA pode revisar, sugerir melhorias, identificar pontos frágeis. Mas não transforma ambiguidade em clareza. Se o risco não é enfrentado cedo, ele cresce.
No fim, a decisão é humana. A responsabilidade também.
IA ajuda. Questiona. Acelera.
Mas tudo começa com as perguntas certas, na ordem certa.
Valor.
Expectativa real.
Custo e risco no tempo.
Nessa ordem.
O resto é desenho bonito.
No dia da masterclass você receberá um e-mail com um link para acompanhar a aula ao vivo. Até lá!
Aguarde, em breve entraremos em contato com você para lhe fornecer mais informações sobre como participar da mentoria.