Não é voltar ao que era, nem simplesmente reparar o que foi quebrado. É reordenar o passado sob novos fundamentos, aceitando que algo do que parecia certo precise ser abandonado.
É assumir o presente sem se esconder no passado, seja ele glorioso ou trágico. O passado pode orientar, mas não pode servir de abrigo.
Reconstruir é restaurar a função ética da escuta. Ouvir como quem se deixa orientar e, se necessário, contrariar. Não como quem consome discurso para confirmar a própria narrativa.
Por isso, reconstrução não é maquiagem, nem reorganização eficiente, nem inovação ansiosa. É realinhamento. É renúncia ao que não sustenta, mesmo quando funciona.
Reconstruir é voltar a viver de acordo com aquilo que sustenta a vida. Mesmo quando isso desestabiliza. Mesmo quando custa.