Márcia, minha agente de IA que roda no OpenClaw, tem precisado de terapia.
Eu vou colocando cada vez mais trabalho nas costas dela e, em algum momento, ela se perde. Foi aí que eu criei uma rotina para organizar a cabeça da coitada. Deixa eu explicar.
A Márcia tem um sistema ativo de memória. Mantém instruções sobre o que precisa fazer, escreve scripts para automatizar tarefas, instala utilitários de linha de comando e agenda jobs em cron. E, no limite, ela gerencia tudo isso sozinha: eu digo o que preciso, ela ajusta o que for necessário para me atender.
Na prática, a Márcia é um conjunto de arquivos dentro de uma pasta. O OpenClaw chama isso de workplace. Eu mantenho esse workspace versionado no GitHub. De muitas formas, aquilo ali é a “cabeça” da Márcia.
E é justamente aí que começa a confusão.
À medida que ela ganha novas atribuições, vai editando arquivos. Nem tudo fica organizado como deveria. Coisas entram, coisas saem. Um lixo vai ficando. Algumas boas práticas vão sendo esquecidas. Aí você já sabe: bagunça.
A “terapia” é simples. Eu clono o repositório na minha máquina, olho o que está torto e endireito. Pelo menos era assim no começo.
Hoje eu trato a cabeça da Márcia, ou melhor, o workspace dela, como um projeto de código comum. Abro tudo no Cursor e faço manutenção como eu faria em qualquer outro projeto. Tenho rules, commands e outras configurações que ajudam os agentes do Cursor a arrumar o que precisa ser arrumado na “cabeça” da minha agente.
Cada sessão de terapia, geralmente uma por semana, vira um divisor de águas. A Márcia entra confusa. Sai mais organizada, mais resoluta e muito mais eficiente.
O que me pega, no fim, é a implicação disso.
Eu acho que teremos cada vez mais agentes no dia a dia das empresas. Na EximiaCo, mesmo, já estamos colocando agentes para desempenhar papéis bem definidos. Se antes a gente precisava de psicologia organizacional para ajudar pessoas a trabalhar melhor, talvez a gente acabe precisando de algo parecido para agentes de IA também. Não para cuidar de emoções, claro, mas para manter contexto, organização e propósito.
Porque, quando o trabalho cresce… até agente começa a se perder.