12 de janeiro de 2026 · 1 min de leitura

O Livro dos Arrependimentos

Comecei a ler “A biblioteca da meia-noite”. Até aqui, parece ser um ensaio sobre a angústia. Cheguei a um capítulo intitulado “O livro dos arrependimentos”.

O tal livro lista arrependimentos fora de ordem cronológica. Dos menores, cotidianos, aos mais pesados. Não há narrativa, apenas acúmulo. E a personagem principal sente isso no corpo. À medida que lê, o peso aumenta. No final, o desafio já não é compreender, mas conseguir fechar o livro. Até a capa está pesada demais.

Leitura. Reflexão. A angústia não nasce de um grande fracasso, mas da soma de pequenas desistências.

O arrependimento não aparece como lição, mas como lista. Uma coleção silenciosa de “poderia ter sido”. Não dói pelo que deu errado, mas pelo que nunca chegou a existir.

Até esse ponto, o texto é honesto e incômodo. Não promete saída nem redenção. Apenas nomeia algo que muitos sentem e poucos articulam: quando se olha apenas para o que não foi feito, com o tempo falta força para lidar com qualquer coisa além. O cansaço não vem da vida. Vem de não conseguir fechar o livro.

biblioteca da meia noite Série
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