ENSAIO AVULSO
12 de janeiro de 2026 · 1 min de leitura

O custo de uma história

Sunk cost fallacy.

Quanto mais tempo, energia, dinheiro, reputação ou emoção investimos em algo, mais difícil se torna abandonar, mesmo quando já está claro que não funciona mais. A mente confunde investimento passado com obrigação futura, como se o amanhã tivesse o dever de justificar o ontem.

Diante de duas alternativas com o mesmo custo futuro, uma nova, sem custos anteriores, e outra antiga, com histórico, tendemos a escolher a que já recebeu mais investimento, ainda que, quando concluída, seja inferior. O passado pesa mais do que o resultado.

O curioso é que esse efeito não é racional, é identitário. A pergunta deixa de ser “isso ainda faz sentido?” e passa a ser “quem eu sou se eu largar isso?”. Por isso, pessoas insistem em relacionamentos vazios, projetos mortos, cargos ilegítimos e ideias falidas. O apego não é ao objeto, é à narrativa construída.

O que você ainda mantém não porque é certo, mas porque custou caro demais para largar? Às vezes, a liberdade não exige coragem para começar algo novo, mas lucidez para parar.

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