Concluí a leitura de O Misterioso Caso de Styles sem grandes cerimônias. É o primeiro livro de Agatha Christie que leio e comecei sem expectativas altas. Não sou, ao menos até aqui, alguém que se diga fã do gênero policial. Ainda não sei, inclusive, se gostei do gênero em si.
A leitura está longe de ser massante. O texto flui bem, os capítulos avançam com facilidade e não há excessos. Ainda assim, senti que a experiência é muito mais próxima de um quebra-cabeças do que de uma narrativa que busca envolvimento emocional. O prazer do livro parece estar menos em acompanhar uma história e mais em resolver um problema.
Tudo é construído como um exercício de atenção. As informações estão ali, expostas, distribuídas com cuidado. O desafio não é encontrá-las, mas resistir à vontade de organizá-las rápido demais. Em vários momentos tive a sensação de que o livro testa o leitor mais do que o entretém. Não no sentido de dificuldade, mas de disciplina mental.
A figura de Hercule Poirot deixa isso ainda mais claro. Ele não encanta pela ação ou pelo carisma clássico do herói. Seu papel é outro. Desacelerar o raciocínio, desconfiar do óbvio, desmontar explicações plausíveis demais. Enquanto eu, leitor, já estava satisfeito com uma resposta razoável, ele insistia que razoável não é o mesmo que verdadeiro.
Talvez seja por isso que ainda não sei dizer se gostei. Não houve catarse. Não houve apego aos personagens. Houve método. Houve lógica. Houve, sobretudo, a sensação incômoda de perceber quantas vezes concluí algo apenas porque parecia fazer sentido, não porque estava sustentado.
No fim, Styles me parece menos um romance para ser sentido e mais um livro para ser enfrentado. Funciona melhor para quem gosta de enigmas, de testar hipóteses, de ser enganado sem trapaça. Para mim, ficou como uma boa experiência intelectual, e como um lembrete sutil de que, muitas vezes, não é o texto que nos ilude, somos nós que nos iludimos com facilidade.