Eclesiastes 4. Salomão continua observando a vida debaixo do sol. E o que ele vê não é animador. Ele enxerga cenários difíceis: opressão, vaidade, solidão, instabilidade. São retratos da vida como ela é.
Primeiro, ele fala sobre os tribunais. Que deveriam proteger, mas que se tornaram palco de injustiça. Oprimidos choram e ninguém consola. Ninguém reage. O silêncio diante da dor grita mais alto que a própria injustiça. Salomão, abalado, diz: era melhor ter morrido. Melhor ainda, nunca ter nascido. Não é exagero, é desabafo de quem enxerga um mundo quebrado.
Depois, ele olha para o trabalho. Vê que muita gente se esforça, não por propósito, mas por inveja. A comparação virou rotina. A meta não é ser bom, é ser melhor que o outro. E isso cansa, desgasta, afasta. Ele também vê quem cruza os braços, sem sonhos, sem metas.
Salomão observa ainda outro tipo: o que trabalha sem parar, acumula bens, mas não aproveita nada. Junta riquezas, mas vive como se fosse pobre. O dinheiro vira senhor, e o trabalho, uma prisão.
Salomão fala do poder. Diz que é melhor o jovem pobre e sábio do que o rei velho que não aceita mais conselho. O tempo pode endurecer o coração. A fama passa. A glória humana é frágil. Hoje a multidão aplaude, amanhã esquece.
Mas, nem tudo é desânimo. Ele diz: é melhor serem dois do que um. Ter alguém ao lado faz diferença. Um ajuda o outro a levantar, aquece no frio, defende na luta. Viver isolado é pesado demais. E quando Deus está no centro dessa parceria, ela se fortalece ainda mais. Um cordão de três dobras não se arrebenta fácil.
Ao ver tudo isso, Salomão se entristece. Debaixo do sol, tudo parece vão. Só quando se olha acima do sol, tudo muda. A justiça de Deus permanece. O propósito se revela. A esperança se renova. O que é pesado aqui embaixo ganha sentido quando enxergamos com os olhos de Deus.