Chego ao capítulo 6 de Isaías.
Ano da morte do rei Uzias.
Fim de um ciclo. Hora de Deus falar.
Isaías tem uma visão.
O Senhor está entronizado.
Alto. Elevado. O templo inteiro treme.
Serafins voam. Cobrem o rosto.
Gritam: “Santo, santo, santo”.
A glória de Deus enche tudo.
Isaías se encolhe.
Não é só medo. É consciência.
“Sou um homem de lábios impuros.”
E moro entre gente parecida comigo.
A santidade de Deus escancara quem somos.
Mas não para destruir.
Um serafim voa.
Traz uma brasa do altar.
Toca os lábios de Isaías.
Purifica.
Então, a voz de Deus:
“Quem enviarei?”
Isaías responde:
“Eis-me aqui.”
A missão começa depois da confissão.
Depois do toque. Depois da transformação.
Ninguém se envia.
É Deus quem chama.
É Deus quem purifica.
É Deus quem envia.
O chamado não é para quem se acha pronto.
É para quem se reconhece impuro e mesmo assim se dispõe.
Fogo no altar. Lábios marcados.
Novo começo.
Não é só sobre Isaías.
É sobre mim. Sobre você.
A glória de Deus ainda nos alcança.
Ainda expõe. Ainda purifica.
E ainda chama.
A resposta continua valendo: “Eis-me aqui.”