Fui dar uma conferida, nem sei o porquê, na lista dos dez mais ricos do mundo em janeiro. Fiquei impressionado, mas não surpreso. Impressionado pelos números. Não surpreso pelo padrão. As fortunas são estimativas, baseadas principalmente nos rankings da Forbes e do Bloomberg Billionaires Index, que variam com o mercado, mas raramente mudam o desenho geral.
Elon Musk lidera, com fortuna estimada entre US$ 240 e 260 bilhões. A Tesla segue central, mas a SpaceX ganhou peso decisivo, somada a apostas em IA e infraestrutura tecnológica. Musk controla posições em setores que ainda estão em expansão.
Larry Page, com cerca de US$ 150 a 160 bilhões, e Sergey Brin, logo atrás, ilustram bem o poder da Alphabet. Publicidade, cloud e IA sustentam um domínio baseado em dados e escala global, mais do que em produtos isolados.
Jeff Bezos mantém algo em torno de US$ 155 a 165 bilhões. Mesmo fora do comando da Amazon, segue colhendo os frutos de uma combinação difícil de replicar: e-commerce, logística e, sobretudo, a AWS, base silenciosa da internet moderna.
Larry Ellison aparece com cerca de US$ 140 a 150 bilhões. Menos visível, mas revelador. A Oracle se reposicionou em cloud e IA corporativa, mostrando como software empresarial também constrói impérios duradouros.
Mark Zuckerberg figura entre US$ 120 e 130 bilhões. Após anos de desconfiança, a Meta voltou a ser vista como plataforma eficiente e agressiva em IA. Atenção continua sendo um ativo central.
Bernard Arnault é o grande fora da curva, com algo próximo de US$ 170 bilhões. Seu poder vem de marcas, desejo e capital simbólico. Mesmo num mundo digital, status ainda escala.
Jensen Huang entrou recentemente nesse topo, com cerca de US$ 110 a 120 bilhões. A Nvidia tornou-se infraestrutura crítica da IA. Quem fornece os componentes captura mais valor do que quem apenas constrói sobre eles.
Warren Buffett segue no grupo, com cerca de US$ 120 bilhões, lembrando que disciplina e tempo ainda funcionam fora do hype tecnológico. A lista se fecha com Steve Ballmer, também na faixa dos US$ 120 bilhões, graças à valorização contínua da Microsoft.
Toda época tem seus barões. Já foram donos de terras, trilhos, aço e petróleo. A nossa trocou matéria-prima por código e fábricas por plataformas. O mecanismo é antigo. O formato é novo.