Quem convive com você todos os dias?
Quem tem acesso a você?
Quem você traz para dentro de casa?
Para a tua mesa?
Com quem você celebra vitórias?
Com quem atravessa derrotas?
São critérios.
São perguntas.
Chamo isso de gestão do entorno.
Você gerencia?
Ninguém cresce sozinho.
Mas ninguém cresce bem de qualquer jeito.
O entorno educa.
Define o que vira normal.
Ajusta ambições sem pedir licença.
Com o tempo, você não apenas ouve o ambiente.
Você reage como ele reage.
Escolhe como ele escolhe.
Aceita como ele aceita.
Mesmo parado,
num terreno inclinado,
o deslocamento acontece.
Gestão do entorno não é elitismo.
É responsabilidade.
É decidir quem tem prioridade
quando o telefone toca à noite.
É reconhecer limites.
Tempo. Energia. Atenção.
Intimidade é investimento.
Acesso irrestrito cobra caro.
Não se trata de excluir pessoas.
Trata-se de escolher proximidades.
Nem todo mundo senta à mesa.
Alguns ficam na sala.
Outros, no portão.
Isso não é desprezo.
É lucidez.
Ambiente certo não promete conforto.
Promete verdade.
Gente que confronta sem humilhar.
Que puxa para cima sem bajular.
Que celebra sem inveja.
Que corrige sem prazer.
Poucos.
Bons.
Suficientes.
Muita gente chama isso de lealdade.
Nem toda lealdade é virtude.
No fim, a pergunta permanece.
O teu entorno te expande
ou te acomoda?