Ezequiel 17 é um capítulo contado como uma parábola. Fala de duas águias, de um cedro do Líbano e de uma videira plantada em boa terra. A história parece agrícola, mas o tema é bem humano: alianças, promessas e a tentação de trocar de apoio quando a situação aperta.
O pano de fundo é um povo frágil, preso entre grandes impérios. A primeira águia representa a Babilônia, que domina Judá e instala um rei vassalo. A segunda águia simboliza o Egito, visto como alternativa de proteção. Judá tenta mudar de lado, acreditando que uma nova aliança traria segurança e autonomia.
A forma do texto já ensina. Águias eram símbolos de poder imperial. O cedro representava força e estabilidade. A videira, não. Ela depende de onde foi plantada. Não cresce para dominar, mas para permanecer. O contraste é intencional: a videira se inclina para outra águia como se pudesse se tornar algo que não é.
O ponto central do capítulo não é a escolha errada de aliados, mas a quebra da palavra. A aliança havia sido firmada com juramento. Rompê-la não é apenas erro político, é falha moral. O texto mostra que o colapso começa quando a fidelidade passa a parecer ingênua demais para tempos difíceis.
Quando trazemos isso para hoje, a pergunta é simples. Quantas vezes chamamos de pragmatismo aquilo que é só medo de sustentar compromissos? Quantas decisões são justificadas como necessárias, quando no fundo são desistências silenciosas?