Li que a Microsoft estava abandonando a marca Office. Que agora se chamaria “Copilot”. Mas, não é bem assim.
O que a Microsoft mudou não foi a suíte em si, mas o nome do hub que reúne os apps. O antigo “Office” virou “Microsoft 365” e, mais recentemente, Microsoft 365 Copilot. É o ponto de entrada que mudou, não o conjunto de ferramentas. Word, Excel e PowerPoint continuam existindo, sendo usados como sempre, agora com uma camada extra de inteligência.
A confusão nasce do marketing. Quando o app central troca de nome, a manchete grita que o Office acabou. Não acabou. Ele deixou de ser a marca guarda-chuva. Hoje, a estratégia é clara. Microsoft 365 como plataforma. Copilot como camada de IA. A suíte permanece, inclusive em versões perpétuas como Office 2024, para quem prefere comprar e seguir sem assinatura.
Mas, convenhamos, é uma decisão difícil. A marca Office é uma marca consolidada. Décadas de uso. Presente em empresas, escolas, concursos, currículos. Office virou quase sinônimo de trabalho sério. Abrir mão disso não é trivial.
Ao mesmo tempo, Office carrega um imaginário específico. Escritório. Mesa. Computador fixo. Horário comercial. Só que o trabalho já escapou dessas paredes faz tempo. Ele acontece no celular, no navegador, no sofá, no aeroporto, no fuso horário errado.
Nessa perspectiva, 365 faz mais sentido. Não descreve um lugar. Descreve uma ideia. Uso contínuo. Todos os dias. Em qualquer contexto. É menos sobre onde você trabalha e mais sobre como o trabalho acontece.
O Copilot entra como o próximo passo dessa narrativa. Não como substituto das ferramentas, mas como camada transversal. Um assistente que atravessa documentos, planilhas, apresentações, e-mails, reuniões e decisões. O valor deixa de estar apenas no software e passa a estar na capacidade de pensar junto.
No fim, não é sobre abandonar o Office. É sobre reconhecer que o escritório deixou de ser o centro da vida produtiva. E marcas fortes, quando querem continuar fortes, às vezes precisam desapegar do próprio passado.