É sempre bom ter certa suspeita de quem defende suas posições apenas com retórica.
A principal defesa do trabalho de alguém é a própria obra. Mostre o que você construiu. Mostre os frutos do seu trabalho. O discurso pode dizer muita coisa, mas aquilo que construímos oferece uma evidência muito mais concreta sobre quem somos e sobre o trabalho que realizamos.
No fim das contas, isso é sobre coerência.
Essa ideia aparece de maneira muito interessante em 2 Coríntios 3.
Paulo fala à igreja de Corinto que não precisa de cartas de recomendação para provar suas credenciais. A própria igreja é a sua carta. Aquilo que foi construído entre aquelas pessoas é evidência do trabalho que ele realizou.
Paulo não diz simplesmente: “acreditem em mim”. Ele aponta para a obra.
E isso serve para todos nós.
Retórica é importante. Argumentos também. Mas existe um momento em que aquilo que fazemos precisa sustentar aquilo que dizemos.
Isso também vale quando avaliamos outras pessoas. Antes de se impressionar apenas com o discurso, olhe para o que foi construído. Observe os frutos. Compare a fala com a obra.
A obra não torna automaticamente alguém certo. Bons resultados também não justificam uma conduta ruim. Mas, quando queremos avaliar a coerência entre aquilo que alguém diz e aquilo que efetivamente faz, a obra é uma evidência difícil de ignorar.
E talvez a pergunta mais desconfortável não seja sobre os outros.
Qual é a sua obra?
Quando a retórica acabar, o que você construiu continuará falando por você.
