Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.
Li em Hamlet.
Ela surge quando Hamlet, depois de ouvir o fantasma do pai, percebe que Horácio tenta enquadrar o acontecimento dentro de um racionalismo confortável. Hamlet não rejeita a razão. Ele rejeita a arrogância de achar que ela dá conta de tudo.
O ponto não é defender superstição, mas lembrar do papel real das teorias. Elas existem para tentar explicar o mundo e, quando possível, prever o que pode acontecer. Funcionam como instrumentos. Ajudam a organizar o caos. Mas nunca são o próprio real. Quando esquecemos isso, a teoria vira dogma.
Tomemos um exemplo moderno. Conhece o DISC? O modelo é útil. Ajuda a entender padrões de comportamento, melhora a comunicação, reduz ruído nas relações. Ele cumpre bem o seu papel enquanto ferramenta de leitura. O erro começa quando alguém passa a tratá-lo como descrição exaustiva da pessoa.
Modelos explicam tendências, não esgotam a realidade. Pessoas sempre carregam mais do que qualquer tipologia consegue capturar.
Shakespeare já avisava, séculos atrás: o mundo é maior do que nossos sistemas. A maturidade está em usar boas teorias sem exigir delas perfeição. Elas iluminam caminhos, mas nunca substituem o contato direto com o real.