Estou lendo Hamlet, clássico de Shakespeare. Nele, um dos personagens, Polônio, dá conselhos a seu filho Laertes. Poderiam ser para mim ou para você. Veja:
- “Dá a cada homem teu ouvido, mas a poucos tua voz.”
Ouvir é captar o mundo antes de reagir a ele. Falar menos não é timidez, é estratégia. Quem escuta bem entende melhor onde pisa. - “Não tornes teus pensamentos ações precipitadas.”
Nem tudo o que passa pela cabeça precisa virar gesto. A distância entre ideia e ação é o espaço da responsabilidade. - “Sê familiar, mas não vulgar.”
Proximidade constrói pontes. Excesso derruba limites. Respeito nasce da medida. - “Amigos provados, prende-os à tua alma com ganchos de aço.”
Laços verdadeiros são raros. Quando existem, merecem cuidado e lealdade ativa. - “Evita brigas; mas, se entrares nelas, faze-o de modo que o adversário te tema.”
Conflito não é virtude. Mas, quando inevitável, hesitação custa mais caro que firmeza. - “Dá ouvidos a todos, mas reserva teu juízo.”
Escutar opiniões não implica adotá-las. Julgar é um ato solitário. - “Traja-te conforme teus recursos, sem ostentação.”
A aparência comunica caráter antes das palavras. Excesso distrai, sobriedade sustenta. - “Não emprestes nem tomes emprestado.”
Dívidas criam amarras invisíveis. Autonomia é um bem silencioso. - “Sobretudo: sê fiel a ti mesmo.”
Não como slogan, mas como coerência diária. Quando isso falha, todo o resto vira encenação.
É curioso como conselhos dados num palco do século XVII continuam funcionando fora dele. Talvez porque, apesar do tempo, o jogo humano siga o mesmo.