Fui na padaria de um posto de gasolina, agora há pouco. Aqui, numa cidade pequena, aquilo é ponto de encontro.
Entrei, fui até o balcão, e ali reparei num aviso: nos domingos, somente retirada. Pegue e leve. A opção de sentar e comer no local não estava mais disponível.
Na hora, tentei achar uma explicação. Pensei em falta de demanda. Verão, gente na praia, talvez o movimento não justificasse manter a operação completa no domingo. Mas não era isso. O problema não era demanda. Era falta de mão de obra.
É fácil, de fora, fazer uma leitura apressada. Imaginar que as pessoas não queiram trabalhar no domingo porque o trabalho é mais pesado, ou porque a remuneração talvez não seja boa. Mas isso é suposição. Eu não sei quanto a padaria paga. Não sei se paga bem ou mal. E nem entro nesse mérito.
O fato é outro. Falta gente. E quando falta gente, o negócio não consegue operar como poderia. Reduz serviço, reduz experiência, reduz faturamento. No caso da padaria, isso significa menos vendas e também a perda de algo que não aparece no caixa: o papel de ponto de encontro da cidade.
E é aqui que o problema deixa de ser local. Porque eu vivo algo parecido na Exímia, em condições bem diferentes. Demanda existe. Trabalho existe. Buscamos gente muito qualificada. Pagamos bem. Ainda assim, deixo de atender clientes pela dificuldade de formar e manter pessoas no nível de excelência e confiança que o trabalho exige.
O efeito, no fim, é o mesmo. Falta gente. A operação não escala. O atendimento é limitado. E isso se converte em prejuízo. Não por falta de mercado, não por falta de oportunidade, mas por incapacidade prática de entregar.
Pois é.