Gente, vocês já ouviram a tal Sina de Ofélia? A música que soa como uma “versão brasileira” de um sucesso da Taylor Swift, nas vozes da Sonza e do Dilsinho? É grude. Você ouve e ela fica.
O detalhe curioso e perigoso é que ela foi feita por IA. E sem pagar um centavo aos artistas.
Isso mesmo. A música foi traduzida por IA. Gerada por IA. Usou versões sintetizadas das vozes da Sonza e do Dilsinho. Explodiu. E levou dias até ficar claro que não havia ninguém ali cantando de verdade. As plataformas começaram a derrubar, mas, como quase tudo na internet, já era. Publicou, não morre mais.
Alguns pontos merecem debate.
Primeiro. A qualidade da IA já não é mais uma hipótese. É um fato. Funcionou aqui de forma inquestionável, ainda que o gosto musical por trás da obra seja discutível.
Segundo. A IA não apenas facilita deepfakes. Ela democratiza. Qualquer pessoa, com um pouco de conhecimento, e esse pouco diminui a cada dia, pode produzir o próximo “hit”, não copiando como um artista, mas copiando artistas.
Terceiro. A própria lógica da produção artística tende a mudar. Se já vivíamos cercados por hits descartáveis, baseados em fórmulas, imagine agora, quando a experimentação pode ser escalada. Testar milhares de variações deixa de ser custo criativo. Vira rotina computacional.
Pois é.
Talvez o problema não seja a IA fazer música.
Talvez seja o quanto estamos dispostos a aceitar qualquer coisa, desde que soe bem.
Precisamos falar mais sobre isso.